Não me pagaram, tá?

A Gilded Serpent, minha revista preferida sobre dança do ventre, tá bombando. Ó:

Uma leitura interessante sobre o fusion.

*

Um esfoço de inventário do trabalho de estrangeiras no Cairo.

*

Uma entrevista com Farida Fahmy revela o que ela realmente pensa sobre a atual Reda Troupe.

*

Leila, uma bailarina americana muito inteligente e que dança no Cairo fala sobre os diferentes públicos da dança e nos lembra que dançamos sempre para bailarinas, diferentemente do mundo árabe, onde a dança é entretenimento para não-profissionais. Muito bom. Vai aí um destaque para se pensar:

Orientalists generally pick the shiny parts of whatever Arab object catches their eye, and leave the rest in the cultural muck.

Feliz ano novo!

Nu, que ano que passou voando! Acho que quando passamos a medir o tempo por coreografias ensinadas ele tende a passar mais rápido. Começou o ano, comecei a ensinar percussão, fiz uma coreo, a galera apresentou na mostra, comecei o baladi, aproveitei os passos para o baladi moderno e… fim. Cabô. Já era dezembro e o mundo passou por mim sem que eu o pudesse perceber direitinho. No meio disso tudo, a angústia do último ano do doutorado. Põe angústia nisso: meu grau de reflexão chegou a zero entre outubro e início de dezembro. Sabe não abrir a pastinha “tese” que pisca no desktop? Então.

Mas fora essa distorção tempo-espaço, 2010 teve bão. Não fiz promessa no ano passado para comparar e me arrependi. Mas faço o balanço ainda assim:

1. Minha escola cresceu. Trabalhei feito uma condenada, mas valeu a pena: estamos com um conjunto de alunas maravilhosas. Gente bonita, querida, envolvida com a dança. Que curte a proposta da escola. Quase todas as turmas lotadas em outubro, vejam que maravilha!!!

2. Meu cabelo cresceu. Engordei. Mas sei lá por que, sinto-me bonita. Minha dança parece ter crescido também. Bem pouquinho, quase não aparece, mas sinto-me mais à vontade com a música, com o espaço cênico, comigo mesma. Nem pareço comigo, vejam que perspectiva colorida do mundo!

3. Algumas amizades se enfraqueceram ou se foram e outras, felizmente, seguem firmes e fortes. Conheci gente bacana, que pode ser amiga se a gente der espaço pra isso. Conheci gente cuzona também, mas não o suficiente para embranquecer meus cabelos. Não tive maiores contratempos com gente. Estava ocupada demais trabalhando.

Como funcionou não fazer promessas pro ano seguinte, vou ficar quietinha e fazer tudo igual.

Pra quem é amigo meu, um 2o11 poderoso, com boas surpresas, boas amizades, aprendizado e poucos impostos.

Bora arrasar! Chega chegando, 2011! Porque, né? Pelo que falam de 2012, ano que vem tem que ser bão!

Fica aí a fotinha da galera que fez o espetáculo de 2010 do AYUNY. Ói que coisa mais linda:

(Titi, Iris, Poli, eu, Khadija, Mahmoud, Amanda, Andréa. Abaixo: Padma, Raisa, Liz e Paula)

Que 2011 seja um espetáculo!

Espetáculos: melhor com eles!

Finalmente um arremedo de férias! Minhas últimas aulas serão nessa quinta. Depois, relaxo ao menos uma semana com o celular desligado e volto ao trampo. Com mais tranquilidade e a esperança de novidades que sempre vem com a virada do ano. É, o tempo de quem produz dança destoa da temporalidade média: meu ano acaba quando acaba o espetáculo. O deste ano foi lindo, lindo, lindo, lindíssimo. Sério. Bom mesmo. Sou crítica, chata. E achei muito, muito bom, apesar de todo o descabelo que foi, desde setembro.

Parece loucura, mas produzir um evento me faz envelhecer e rejuvenescer ao mesmo tempo. É uma tensão alucinada, que só se vai nos momentos iniciais do espetáculo. Porque depois das cortinas abertas, baby, não há muito o que fazer além de contornar pequenas bobagens. Estresse sério mesmo rola é antes. Duvida? Então puxa o tapetinho porque lá vem história.

Todo mundo junto!

O espaço

Em primeiro lugar, para produzir um evento de grande porte – neste espetáculo contamos com um elenco de 78 pessoas – é necessário pensar o onde. Havia um teatro maravilhoso na cidade onde tradicionalmente produzíamos nossos espetáculos. Entramos nos trâmites tradicionais em junho, pensando em realizar o evento no primeiro sábado de dezembro e tivemos a reserva da pauta confirmada. Em fins de setembro cancelaram todas as pautas. Por que? Não se sabe. Sei apenas que não foi apenas conosco. De todo modo, o estrago estava feito. Em cima da hora, como conseguir pauta? Contratempos são, felizmente, também oportunidades para novos contatos e situações: conseguimos a pauta do Teatro da Escola Parque, o primeiro teatro de Brasília. Menor (370 lugares contra 500 do teatro anterior), mais antigo, mas com cadeiras maravilhosas, poltrononas, bem ao estilo que não existe mais, que prioriza conforto. A chateação foi que precisaríamos nos contentar com uma quinta-feira, dia morto para Brasília, cidade de funcionários públicos. Ça va.

Eu e a linda Liz!

A configuração do espetáculo

Cansada, fim de doutorado, estressada, precisei ainda lidar com saída de professoras e de uma colaboradora importantíssima para a realização do evento. Eu estava sozinha de verdade. Eu e o Alex, que tem por função cuidar da parte bruta: o financeiro. Sem funcionários e colaboradores. Assim, contava com as professoras para não tumultuarem o meio-de-campo. Muitas foram excelentes, mas há as meninas que não se dedicam tanto e que embromam loucamente para enviar as músicas e mesmo para entender a proposta do espetáculo. Passei perrengue, passei raiva, aprendi.

As alunas

Pela primeira vez, precisei dançar com as minhas alunas. Uma de minhas alunas adoeceu na penúltima semana antes do espetáculo. Minhas coreografias são feitas com desenhos que levam em conta cada uma das meninas, suas potencialidades e dificuldades. Ou seja, ou eu mudaria todo o desenho coreográfico ou assumiria o papel da moça. Lá fui eu. Isso gerou um estresse extra, afinal, fazer a coreo para o corpo do outro não é a mesma coisa de executá-la bem. Além do mais, nunca havia me apresentado com grupo antes. Fiquei insegura e com medo de prejudicar as meninas. Mas nem conto: me diverti horrores!!! Errei. Mas tava com a cara boa, nem acho que fez tanto feio assim. De todo modo, é aquela coisa: minha perspectiva mudou; consigo ver melhor agora a posição das alunas.

O computador

Meu computador caiu, quebrou e morreu. Siiim! Quatro dias antes do espetáculo. O computador com tudo, absolutamente toda a minha vida dentro. Aprendi mais uma coisa: quando o bicho tá pegando e acontece uma coisa como essa, a única opção é relaxar. Simplesmente deixar a coisa rolar.

Equipe porreta!

E a coisa rolou. Teve mais chaturinhas e preocupações assombrosas. Mas, amiga, o show foi tão bom, tão bom, que só consigo pensar na analogia do parto: não importa quanta dor e medo a coisa acarretou, se o resultado foi algo vivo e lindo.

Algumas poucas linhas

Gosto demais do meu blog para vê-lo morrer. Minha solução para evitar isso é ir escrevendinho coisinhas simples, contando o cotidiano. Mesmo que seja na linguagem do twitter, do menor esforço de esclarecimento e tal.

*

Então aí vai.

*

Ego pouco é bobagem. Tem essa outra filmagem da minha dança aqui, ó. Dá pra ver a expressão e a extensão da banha abdominal. Dá pra ver melhor os movimentos também. Eu realmente gostei da dancinha. Queria que todas as improvisações fossem bem-acabadas como essa e tal. Não é grandes merdes. Mas eu gosto.

*

Nem fui pro festival da Luxor fazer aula com o Tito. Faltam duas semanas para o espetáculo do AYUNY e tem rolado umas chateações bem… chatas? De todo modo, o espetáculo vai ser grande, enorme. É dos 10 anos da escola e estou trazendo a Polimnia Garro e apoiando a vinda da Paula Braz. O nome, “Mabruk”, é um mega parabéns para a escola e para a cidade de Brasília.

Pra escola porque sobreviver 10 anos no mercado não é bolinho. Sobreviver 10 anos com elegância, então… ufa! Que lindo é o AYUNY. Falou mal da minha escola, falou mal de mim, tipo isso.

Pra Brasília porque, coitada da cidade, taí há 50 anos. Com muita sacanagem, muita burguesia retardada e tal e coisa. E em pé. Quem é de Brasília entende o desânimo. Mas tamos de governador novo e a esperança é o último recurso, né?

*

Minha tese? Tá geladinha, geladinha.

*

Tem work da Polimnia Garro um dia antes do “petáculo”. Fiz 2 works com ela e uso até hoje o que aprendi. Amo muito. Se quer fazer também e estudar com uma mulher bacana, talentosa e mega didática, veja os detalhes na foto abaixo (é só clicar que a imagem fica legível).

*

Tô tensa, muuuuito nervosa. Mas minhas turmas estão lindas, dedicadas e as coreos são muito boas. Não, não sou humilde. Mas isso não é novidade, é?

 

Todas juntas somos fortes…

Tem música que não se interpreta sozinha. Tentando encontrar alguma música para o meu solo me deparo com clássicas como “Khatwet habibi”. Não consigo visualizá-la interpretada no corpo de uma bailarina somente. É uma música que precisa de volume, de corpo de baile. Tem uma voz solo e uma voz plural. Parece-me tão claro que me assombraria assisti-la no corpo de uma artista somente.

***

Na verdade, já vi uma bailarina dançando, a Suhaila Salimpour. Mas era muito diferente: era um vídeo e não uma performance em palco e talz.

Chá do AYUNY

Dancei. Subi as escadas achando que só tinha feito shimmy frente-trás e camelo. Procê ver como nossa auto-imagem é distorcida. Por fim, depois de ver o vídeo, vi que tinha dançado bonitinho. Me amarrei no show, fiquei feliz com a minha dança (depois de várias olhadas desconfiadas para o vídeo). No fim, a conclusão: improviso bem curtido. Ói como foi:

Receber, realizar, fazer acontecer

Tive a super oportunidade de receber, nesse último fim de semana, em minha escola e em minha casa a queridíssima Paula Braz, da Cia Xamã Tribal. Conhecemo-nos em junho, quando ela ofereceu um curso introdutório do estilo tribal em minha escola, mas tivemos pouca oportunidade de trocar idéias. Ela fez um show impecável. Combinamos um curso continuado de aprofundamento no tribal fusion, com coreografia para apresentação no nosso espetáculo, no dia 02 de dezembro.
Orçamentos apertados e muita vontade de mexer no cenário artístico fizeram com que nossa reunião fosse ainda mais especial: a Paula ficou aqui em casa, com um bando de gatos alucinados, pêlos por todos os lados e o medo de que a reação dos bichanos resultasse em atitudes anti-sociais. Coisa que só gente muuuuito gente-boa toparia. E foi fantástico! Os gatos se comportaram muitíssimo bem e a Paula, cara, só sendo muito complicado para não querê-la bem. Que moça querida!
Não assisti a toda sua aula (acho indiscreto ficar bicando aula alheia), mas o pouco que vi me capturou. Que elegância! Ouvi a aula e fiquei muito feliz com sua didática, com a necessidade de contextualizar o movimento e a própria dança, coisa que a dança do ventre, em geral, dispensa.
Temos muito, de fato, a aprender com o tribal. Por exemplo, como ser menos caretas, mais integradas, mais interessadas, mais livres e a um só tempo mais disciplinadas. A postura e os isolamentos do tribal são fruto de disciplina e dedicação. A bailarina do ventre não raro acha que tá linda só de fazer um camelinho tremido.
A Paula volta no próximo mês para dar continuidade ao curso. Estou, já, com saudades do sotaque, da doçura e da inteligência dessa moça.

Tudo de novo

Começaram os trabalhos para o novo espetáculo. Duas turmas, duas coreografias, nenhum final de semana imaculado nessa vida. Mas o resultado compensa tudo (espero). Lá vou eu de novo bancar a megera. Mas eu gostcho, minha gente! Pro iniciante, uma coreografia maneiríssima, divertidíssima, de shaabi. Galabeya brilhosa, glamourosa! Pro intermediário, uma moderna egípcia também maneiríssima e mega dramática. Figurino verde poderoso, com direito a meia bordada. Sim, eu sei que sempre critiquei. Mas vai ficar bão, confiem.

Reclamo, reclamo, mas amo de todo o meu coração orientar as meninas. A turma, é claro, não é a mesma do semestre passado (do su-ces-so de El Hob Kolloh). Mas são todas potenciais artistas, bailarianas que contam com aquele empurrãozinho para decolar.

Bora ver o resultado no dia 02 de dezembro. Vou atualizando nossos avanços. Suspirem comigo, amigas! A viagem é longa e prazerosa!