Não me pagaram, tá?

A Gilded Serpent, minha revista preferida sobre dança do ventre, tá bombando. Ó:

Uma leitura interessante sobre o fusion.

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Um esfoço de inventário do trabalho de estrangeiras no Cairo.

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Uma entrevista com Farida Fahmy revela o que ela realmente pensa sobre a atual Reda Troupe.

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Leila, uma bailarina americana muito inteligente e que dança no Cairo fala sobre os diferentes públicos da dança e nos lembra que dançamos sempre para bailarinas, diferentemente do mundo árabe, onde a dança é entretenimento para não-profissionais. Muito bom. Vai aí um destaque para se pensar:

Orientalists generally pick the shiny parts of whatever Arab object catches their eye, and leave the rest in the cultural muck.

Chá do AYUNY

Dancei. Subi as escadas achando que só tinha feito shimmy frente-trás e camelo. Procê ver como nossa auto-imagem é distorcida. Por fim, depois de ver o vídeo, vi que tinha dançado bonitinho. Me amarrei no show, fiquei feliz com a minha dança (depois de várias olhadas desconfiadas para o vídeo). No fim, a conclusão: improviso bem curtido. Ói como foi:

Tudo de novo

Começaram os trabalhos para o novo espetáculo. Duas turmas, duas coreografias, nenhum final de semana imaculado nessa vida. Mas o resultado compensa tudo (espero). Lá vou eu de novo bancar a megera. Mas eu gostcho, minha gente! Pro iniciante, uma coreografia maneiríssima, divertidíssima, de shaabi. Galabeya brilhosa, glamourosa! Pro intermediário, uma moderna egípcia também maneiríssima e mega dramática. Figurino verde poderoso, com direito a meia bordada. Sim, eu sei que sempre critiquei. Mas vai ficar bão, confiem.

Reclamo, reclamo, mas amo de todo o meu coração orientar as meninas. A turma, é claro, não é a mesma do semestre passado (do su-ces-so de El Hob Kolloh). Mas são todas potenciais artistas, bailarianas que contam com aquele empurrãozinho para decolar.

Bora ver o resultado no dia 02 de dezembro. Vou atualizando nossos avanços. Suspirem comigo, amigas! A viagem é longa e prazerosa!

Composição coreográfica

Os homens têm me inspirado tanto…

O Tito e seu perfeito timing. Deslocamento e braço em plena harmonia, puro amorsh!

Ibrahin Akef. Gênio. Maestro. Completamente uau com sua leitura da música e de seu papel como professor. Ele indica o que fazer; o recheio, quem dá é você. Quem dera eu tivesse tido a oportunidade de conhecê-lo…

Aqui é uma coreo dele com a Dina:

Ibrahin Akef interpreta sequencias de sua autoria:

São mesmo leituras que racham a cabeça da gente, alimentada à base da dança de efeito, cheia de pernas e saltos. A difuldade não está na técnica, ela é maior na interpretação do humor da música e no desafio da elegância. Nossa. É por essa dança que eu danço.

P.S.: não se esquece o cânone, né? Véi Mahmoud Reda ensinando como se dança essa bagaça:

Amani

Por acaso fui atrás de um determinado vídeo da Amani e acabei encontrado o que mais queria rever. Graças à L ory, que colocou lá pra todo mundo ver, a chjuventude moderna bellydance pode apreciar a técnica e graça dessa libanesa absoluta que consegue ser forte e doce a um só tempo. Ela faz tosqueiras em várias performances e as despista com movimentos muuuuito poéticos. Entorta a leitura musical.

Nesse vídeo aí embaixo ela é simplesmente linda, sensual, doce e autêntica. Sinto muita falta de referências como ela na dança do ventre de 2010.

E aí vai um baladi da moça (não, não é meu preferido, assim como o da Saida também não é. Pra baladi curto mesmo é dança egípcia, fechadinha e tal e coisa):

Basboussa

Minha dança na Mostra AYUNY 2010, com o vestido apertado e já aposentado já tá disponível.

Assisti umas doze vezes até me convencer de que tava bom. Please, não façam comentários do gênero “ai-deixa-de-ser-besta-nhin-nhon”. Eu sei. Todo mundo se constrange em se ver em vídeo. Já sou véia e chata o suficiente para saber o que e bão e o que é ruim na minha dança. Coloquei o vídeo para compartilhar com amigas e alunas. E quem é minha amiga ou minha aluna sabe que seu eu achasse ruim demais jamais colocaria aqui. É um improviso e acho que eu fui bem. Gostaria de estar com um vestido mais legal, mas, enfim. Nem tudo são swarovski nessa vida.

A música se chama Basboussa, o doce de semolina. É uma música shaabi, popular. Nela a moça critica o sujeito, criado pela vovó, que não quer saber da vida dura; só quer comer basboussa. ^_^