Fechando uma escola

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último programa Mostra AYUNY 2015

Queridos amigos,
Há 15 anos duas mulheres, Lúcia Zamboni e Marina Christofidis, abriram um negócio inédito em Brasília. Nascia o AYUNY, a primeira escola especializada em dança do ventre da cidade e uma das primeiras do Brasil. Há 8 anos eu, Roberta Salgueiro, dirijo o AYUNY.

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As mulheres da minha vida

Não é novidade que somos produtos dos discursos que nos antecedem. Nossas mães, avós e amigas são parte essencial da nossa personalidade e lembramo-nos disso todas as vezes em que nos deparamos com comportamentos diferentes do padrão que nos foi ensinado. Entretanto, a vivência feminina acolhe outros modelos além da família; a mídia (tudo o que comunica) tem um papel fortísssimo e nem sempre é horrível. Hoje tiro um tempo para lembrar os modelos de feminino qe me inspiraram e que, acredito, de um modo ou outro, fazem parte de mim:

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Feliz ano novo!

Nu, que ano que passou voando! Acho que quando passamos a medir o tempo por coreografias ensinadas ele tende a passar mais rápido. Começou o ano, comecei a ensinar percussão, fiz uma coreo, a galera apresentou na mostra, comecei o baladi, aproveitei os passos para o baladi moderno e… fim. Cabô. Já era dezembro e o mundo passou por mim sem que eu o pudesse perceber direitinho. No meio disso tudo, a angústia do último ano do doutorado. Põe angústia nisso: meu grau de reflexão chegou a zero entre outubro e início de dezembro. Sabe não abrir a pastinha “tese” que pisca no desktop? Então.

Mas fora essa distorção tempo-espaço, 2010 teve bão. Não fiz promessa no ano passado para comparar e me arrependi. Mas faço o balanço ainda assim:

1. Minha escola cresceu. Trabalhei feito uma condenada, mas valeu a pena: estamos com um conjunto de alunas maravilhosas. Gente bonita, querida, envolvida com a dança. Que curte a proposta da escola. Quase todas as turmas lotadas em outubro, vejam que maravilha!!!

2. Meu cabelo cresceu. Engordei. Mas sei lá por que, sinto-me bonita. Minha dança parece ter crescido também. Bem pouquinho, quase não aparece, mas sinto-me mais à vontade com a música, com o espaço cênico, comigo mesma. Nem pareço comigo, vejam que perspectiva colorida do mundo!

3. Algumas amizades se enfraqueceram ou se foram e outras, felizmente, seguem firmes e fortes. Conheci gente bacana, que pode ser amiga se a gente der espaço pra isso. Conheci gente cuzona também, mas não o suficiente para embranquecer meus cabelos. Não tive maiores contratempos com gente. Estava ocupada demais trabalhando.

Como funcionou não fazer promessas pro ano seguinte, vou ficar quietinha e fazer tudo igual.

Pra quem é amigo meu, um 2o11 poderoso, com boas surpresas, boas amizades, aprendizado e poucos impostos.

Bora arrasar! Chega chegando, 2011! Porque, né? Pelo que falam de 2012, ano que vem tem que ser bão!

Fica aí a fotinha da galera que fez o espetáculo de 2010 do AYUNY. Ói que coisa mais linda:

(Titi, Iris, Poli, eu, Khadija, Mahmoud, Amanda, Andréa. Abaixo: Padma, Raisa, Liz e Paula)

Que 2011 seja um espetáculo!

Todas juntas somos fortes…

Tem música que não se interpreta sozinha. Tentando encontrar alguma música para o meu solo me deparo com clássicas como “Khatwet habibi”. Não consigo visualizá-la interpretada no corpo de uma bailarina somente. É uma música que precisa de volume, de corpo de baile. Tem uma voz solo e uma voz plural. Parece-me tão claro que me assombraria assisti-la no corpo de uma artista somente.

***

Na verdade, já vi uma bailarina dançando, a Suhaila Salimpour. Mas era muito diferente: era um vídeo e não uma performance em palco e talz.

Tudo de novo

Começaram os trabalhos para o novo espetáculo. Duas turmas, duas coreografias, nenhum final de semana imaculado nessa vida. Mas o resultado compensa tudo (espero). Lá vou eu de novo bancar a megera. Mas eu gostcho, minha gente! Pro iniciante, uma coreografia maneiríssima, divertidíssima, de shaabi. Galabeya brilhosa, glamourosa! Pro intermediário, uma moderna egípcia também maneiríssima e mega dramática. Figurino verde poderoso, com direito a meia bordada. Sim, eu sei que sempre critiquei. Mas vai ficar bão, confiem.

Reclamo, reclamo, mas amo de todo o meu coração orientar as meninas. A turma, é claro, não é a mesma do semestre passado (do su-ces-so de El Hob Kolloh). Mas são todas potenciais artistas, bailarianas que contam com aquele empurrãozinho para decolar.

Bora ver o resultado no dia 02 de dezembro. Vou atualizando nossos avanços. Suspirem comigo, amigas! A viagem é longa e prazerosa!

Basboussa

Minha dança na Mostra AYUNY 2010, com o vestido apertado e já aposentado já tá disponível.

Assisti umas doze vezes até me convencer de que tava bom. Please, não façam comentários do gênero “ai-deixa-de-ser-besta-nhin-nhon”. Eu sei. Todo mundo se constrange em se ver em vídeo. Já sou véia e chata o suficiente para saber o que e bão e o que é ruim na minha dança. Coloquei o vídeo para compartilhar com amigas e alunas. E quem é minha amiga ou minha aluna sabe que seu eu achasse ruim demais jamais colocaria aqui. É um improviso e acho que eu fui bem. Gostaria de estar com um vestido mais legal, mas, enfim. Nem tudo são swarovski nessa vida.

A música se chama Basboussa, o doce de semolina. É uma música shaabi, popular. Nela a moça critica o sujeito, criado pela vovó, que não quer saber da vida dura; só quer comer basboussa. ^_^

Lucy

Todas temos nossas bailarinas-heroínas. Pode ser a primeira que você estudou de verdade ou aquela que de fato de capturou. Toda bailarina tem alguma preferida. Cada bailarina tem sua tônica. O diferencial pode estar na técnica ou na interpretação. As minhas preferidas sempre foram as que se destacaram pela interpretação. Técnica, para elas, é o caminho por onde desfilarão a emoção da música. Fifi, Suheir Zaki, Dandash e Lucy são algumas das bailarinas desse estilo. Há as super-técnicas e nem por isso menos interessantes: Dina, Amani, Randa, por exemplo.  E há as que ninguém consegue explicar por que exatamente são as preferidas de alguém, tipo a Jillina (ops, escapou!).

A preferida da Vivi é a Fifi, disso eu sei! ^_^ A minha é a Suheir Zaki, impecável, mesmo sob uma terrível maquiagem. Mas tenho também uma outra “ídola”, que me fez compreender que sutileza e doçura seriam meus objetivos na dança: a Lucy. Meu primeiro contato com a Lucy foi com um documentário da National Geographic sobre dança do ventre no Egito. Ela estrelou a fita, que mostrava uma dança do ventre cheia de glamour, dedicação e preconceitos. Depois disso, comprei uma fita VHS com a Olga Naboulsi, em São Paulo. Praticamente comi a fita. Tinha dois shows dela; um jantar estranhíssimo e um show ainda mais estranho, com praticamente nenhum público, meio decadente, meio deprê, pensando agora.

No primeiro ela dançou esse saidi bacanérrimo e divertido:

Dançou ainda mais algumas músicas, entre elas uma belíssima que ela repete no show posterior. E o legal é a gente poder verificar o quão diferentes eram as duas danças. O segundo show, em uma casa noturna, era mais amplo: o show DELA. Ela canta (mal) e faz um khaligi horrívi. Mas, à medida em que o show avança e que a casa se esvazia, ela vai ficando mais intensa. As duas grandes músicas desse show (as duas apresentações que assisti sem parar) valem todo o esforço de ter ido a São Paulo comprar esse vídeo – quando comecei a dançar a internet não era essa festa toda. A primeira música, mais curta, já mostra a que veio. Não me lembro o nome, mas era linda e introspectiva. A segunda é “Ana we elazeb we elhawek”, aquela do meu último vídeo. A banda executou a música de uma maneira absolutamente maravilhosa. Rola um flagrante dela torcendo o nariz duas vezes para a banda, que teria errado alguma coisa. Bom, de todo modo, o bacana é que você consegue acompanhar os momentos da bailarina sobre o palco. Ela simplesmente passa a ignorar a platéia (agora praticamente vazia) e começa uma viagem maravilhosa na música. Quando o ritmo se desenvolve para a rumba, aí é que a coisa fica interessante mesmo; o vídeo a pega de perfil, contra a luz, e ela está simplesmente dançando sozinha. Como se ninguém estivesse vendo.

Isso me arrebatou sobremaneira. E vi que era o que queria para mim. Claro que não dá pra fazer isso todo o tempo. Não dá para dançar num restaurante como se o público não estivesse lá; dependendo da música e do contexo, dá para fazer isso sobre o palco, mas no geral, é raro. Mas aquela impressão, da dança perfeita feita para agradar a si, ficou como um ideal.

Hoje a Lucy não se parece em nada com a grande bailarina que conheci em 1998. Nossas inspirações também murcham. Envelhecem. Se cansam. Falham ao se adaptar. Mas deixam o perfume do momento em que nos capturaram.