Insuportabilidade tamanha!

Voltei a trabalhar. A ranhetice retorna também, claro. Assisti hoje a um vídeo que, apesar do apuro técnico da bailarina, me inspirou a fazer a primeira listinha do ano:

As coisas mais insuportáveis da dança do ventre

1. Gritinhos sem ter fim

Preguiiiiiça de público débil mental que fica gritando quando a bailarina surge em cena. E quando ela faz um passo espetacular. E quando ela gira. E quando ela faz uma batida lateral. Afe. Se uma aluna minha dá um vexame desses em algum evento de dança do ventre, enfio minha cabeça num buraco. Porque, minha gente, isso é etiqueta. Pra que berrar? Um tal de “Lindaaaaaa!!!!” “Poderosaaaaa!!!!” “Maravilhosaaaa!!!!”. Menas.

2. Alegriazinhas sem ter fim

Bailarina que dança rindo sem parar, com a boca aberta. Nossa, que troço feio! Abrindo os olhinhos e levantando a sobrancelha. Nuuuuuh! Pulando feito cabrita. Nossa, que vergonha alheia!

3. Proibiçõezinhas sem ter fim

Um saco tantas proscrições: Bailarina não pode fumar. Bailarina não pode beber. Bailarina não pode reclamar. Bailarina não pode criticar. Bailarina não pode faltar ao salão. Bailarina não pode engordar. Bailarina não pode cansar. Até hoje. Vou fazer 14 anos de dança e é a mesma coisa. Respirar pode?

4. Modinhas sem ter fim

A coisa mais surreal de todas é a eliminação gradual da franja. Porque, né? Franja tá fora de moda. Se sua bunda não é muito dura, lascou, porque roupa boa mesmo é aquela grudada, que tá na moda agora porque a Randa usa. Aliás, você tem que estudar apenas movimentos percussivos porque a Randa tá por cima da carne seca e o lance dela é interpretar percussão. Também é moda usar uns arabesques e levantadas de perna gigantescas. Aliás, como na dança há poucas novidades, você pode inventar qualquer coisa meio ridícula, mas impactante e “diferente”. Geral curte. Eu não.

5. Videozinhos da Raqia sem ter fim

Caiu na minha mão o último (será? Pode ter lançado outro já). Caraca! Tudo igual. O mesmo ritmo comandando o mesmo movimento, com a mesma tônica e as mesmas bailarinas-alunas-dela toscas de doer. Aí vem um anúncio de que rola a Randa. A Randa só dança. Teve um com a Soraia em que rolava uma mini-aula, bacana. Esse só dá raiva.

*Aquele movimento comandado pelas pernas, como um mergulho lateral.

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Inútil!

Daí que minha amiga Lu tava contando dos mil gadgets que ela tem em casa. Ela tem uma máquina de fazer coxinhas, por exemplo. Faz cem coxinhas de uma vez só. E contei a ela de um dos melhores artigos de jornal que li nos últimos tempos. O caderno Vitrine, da Folha de, sei lá, três sábados atrás, fez uma relação das compras mais ineficientes que as pessoas podem fazer. Entre os produtos listados constavam iogurteira, cortador de pelo de nariz, conjuntos de facas e aquela mega poderosa máquina de suco que é um inferno de limpar (a Lu confirmou). Sugeri a ela que escrevesse sobre sua cozinha tecno-psicodélica e me empolguei também: por que não relacionar os acessórios bellydance mais trambolhudos e/ou inúteis que já adquiri nos últimos 13 anos de dança? Quer sabersh? Yallah:

1. Snujs de um furo só.

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Snujs, quando não se pratica, já são uma tralhinha. Mesmo um turquoise. Um par de objetos que fica guardado, coitado, sem uso. O negócio vira tralha meeesmo é quando se compra aquele par de snujs com som de lata. Siiiim, aquele que só tem um furinho, coitado. Que só serve pra te constranger nos workshops de snujs.

2. Touquinha

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Quem, em sã consciência, usa as touquinhas? Claro, elas podem até ter seu charme em algumas performances folclóricas. Mas nunca consegui usar. Tipos, tenho uma. Ocupando espaço em gaveta, claro.

3. Abaya exagerada

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Tive uma abaya dourada enoooorme, com capuz e mangas, brilhosa, exuberante. E queeeente. Imagine-se saindo do palco (ou retornando aos exíguos “camarins” – tô tão generosa hoje – dos restaurantes) e vestindo um troço de tecido brilhoso e pesado… aaaaaaaaahhhhhhhhh….. Mo-hy. Eu e algumas alunas nos deparamos com uma abaya de morrer de inveja no último espetáculo. É de uma colega professora. Glamourosa, de veludo e gola de pele. Agora pense em vestir isso depois de dançar por uma hora inteira em restaurante. Ou depois de descer de um palco onde o foco de luz era todinho seu. Gostoso, né? Não.

4. Cd’s da Khan el Khalili e do Tony Mouzayek

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Antigamente internet não era fonte de música. Só hacker ou gente muito rica baixava música. Conexão discada, sacomé. Daí Tony Mouzayek e os cd’s da KK eram uma constante nas fitinhas da galera. O Tony fazia versões das músicas pop mais legais e tem inclusive gravações maneiríssimas das clássicas (como a onipresente “Exotismo”, que tá naquele cd em cuja capa a Soraia veste a roupa mais unbelievable de todas). Com o maior acesso das pessoas aos originais, ficou difícil usar os cds do Tony. Ou seja, Tony datou, mas era a melhor fonte de muita gente. Só que os cd’s da KK, ao mesmo tempo em que eram bons para aulas (ritmos constantes e tal e coisa), sempre foram insuportáveis de ouvir de dançar. E a gente comprava altos nas bancas. E agora ficam encostados. Porque é difícil jogar fora algumas coisas. Porque a gente se apega, né? E eu sou tipo aquela véia cheia de gatos e tralha pra todo lado. Ê, leiê.

5. 15.000 lenços de quadril

lenço

Não sei por que a gente compra tanto lenço de quadril. Um só basta. Tenho um monte. Compulsiva mesmo. Dei alguns para algumas amigas. O pior é que me arrependi. Só que lenço de quadril, pra mim, que sou uma desorganizada, só serve pra ficar jogado pela casa. Porque a faxineira não sabe onde colocar. E eu deixo tudo largado. Daí na hora de arrumar a sacolinha pra ir dar aula, nunca encontro o que eu quero e me atraso pra aula. Sim, a culpa dos atrasos é todinha do excesso de lenços de quadril. Alguns, coitados, não são usados nunca. Os de moedinha são os piores; as moedinhas cortam a linha, daí, ao usar, espalha aquelas contas todas pelo chão. E pisar nelas dói. Por que não ter apenas, sei lá, oito?

6. Kohl

kohl

Alguém já conseguiu usar isso sem ficar parecendo a Cleópatra de ressaca?

***

Bonus:

Candelabro

candelabro

Não. Nunca tive um. Jamais dancei com um. É tradicional, pois é. Só que pra ter um objeto desses em casa, você precisa ter um armário embutido muito espaçoso. Porque o candelabro é a mãe de todos os trambolhos. Espada a gente enfia no fundo do armário (ou, se a bailarina é uma exibicionista, pendura na parede); pandeiro fica lindo dentro da cristaleira, bastão a gente deixa em qualquer canto. Mas candelabro, baby… candelabro é de amargar.

Meme bellydance

A Ket fez um post e tive a idéia de criar um meme para relacionarmos as músicas que têm mexido com a gente no momento e que fazem parte de nossas vidas.

Vai funcionar assim: cada uma responde, em seu próprio blog, o meme e indica mais três blogueiras-do-ventre para responder.Daí, para juntar o útil ao agradável, quando possível coloquem o link para que os leitores possam ouvir e/ou baixar as músicas indicadas.

É uma brincadeirinha divertida, bora lá? Ah! De preferência música árabe e congêneres.

Lá vão minhas confidências musicais (para ouvir a música, basta clicar na setinha de play)

Qual música…

você dançaria agora?Lylet Hob“.
…te deixa feliz?Hatgawez
…te arrepia?Yearning
…você dançaria com banda? “El Toba”
…você jamais dançaria? Nenhuma. Mas evito “Drama Queen” e similares pasteurizados.
…é perfeita para seduzir? Essa aqui. Não sei o nome dela. Se alguém souber, me conta!
…você dançaria para sua profe do coração? Tamra Henna, versão da coletânia Wash ya Wash, Raqia com Yousry.
…te traz boas lembranças?Exotismo” (esse é o nome no disco do Tony. Não sei outro)
…te faz chorar? Inta Omri” Aqui, versão original, cantada por Umm Kalthoum.
...você escuta sem nunca enjoar? Várias. Inta Omri, El Fen, Alf Leila we Leila, Zeina
…você dedica para quem te enviou esse meme? Pra Ket, que inspirou o meme, uma música bem dramática! “Akdeb Aleik“, conhecida pela performance da Randa.

Para colocar pra jogo suas confidências musicais, convido a Samara, a Lory e a Luana!

Achou?

Sempre achei impressionantes as estatísticas desse blog. Tem umas buscas óbvias, como “roberta salgueiro” e “blog roberta salgueiro” que caem certinho aqui. Outras googladas provavelmente frustram as pessoas que realmente querem saber sobre o assunto buscado. Copiando a Lola descaradamente, vamos ver como algumas pessoas vêm parar aqui:

haifahaifa wehbe é puta? Não sei. Provavelmente é apenas uma cantora libanesa que usa roupas apertadas e faz vocais supostamente sensuais.  A verdade é que a resposta vai variar de acordo com o interlocutor. Alguns extremistas certamente dirão que Haifa é charmuta desde o nascimento. As bailarinas do ventre dirão apenas que algumas músicas dela são boas de dançar. E a maior parte das pessoas nunca ouviu falar dela.

danca do ventre pelada: Não é recomendável para apresentações públicas. Agora, em baixo do chuveiro não tem como não treinar ao menos um tremidinho, né não?

pinuptajmahalexpressões faciais de olhar de negócio: Esse olhar “de negócio” também não é recomendado para apresentações públicas. Sério. Evite fazer quaisquer olhares “de negócio” enquanto estiver se apresentando. Geralmente resulta em vexame.

como fazer flolcore com seis pessoas: Olha, é bem facinho, há vários desenhos coreográficos ótimos para grupos em números pares. Pode usar a formação clássica, com três na frente e três atrás; pode dispor a galera em semi-círculo, pode fazer duplinhas interagindo, pode fazer diagonais… Mais fácil do que escrever folclore.

originalidade miçangas jablonex: Eu tenho muita originalidade no uso das miçangas Jablonex. Só faltam fifiabdoumesmo as miçangas, que são caras para chuchu.

Porquê a dansa do ventre deixa a bariga gorda: Porque a bailarina do ventre se acha linda demais, poderosa demais, bailarina demais e acaba comendo demais. Todos sabem que as deusas não precisam de regime.

Trabalho, visita, celebração e um link ótimo

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fonte: http://icanhascheezburger.com/

O ano começou. Finalmente. Lá vem ele, 2009, todo pimpão, me mandando trabalhar e me atropelando logo nos primeiros dias. Mas não estou reclamando. Porque acredito em minhas previsões e esse ano será muito bom. Já é.

Daí o que ando fazendo?

1. Esperando Sammy. A Samara vem aí, lará lará lará! Vai ser mais uma feliz catalizadora de pêlos em minha casa por alguns dias. Tô lavando roupa e tentando colocar ordem em alguns objetos rebeldes que insistem em não se instalarem em gavetas e caixas. Também planejo roteirinhos e essas coisas.

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2. Organizando evento. Dia Internacional das Mulheres, minha gente. Tem que celebrar. O Ayuny vai fazer uma tarde-feliz, com bazar, aulões, dança, shisha. Vai ser leve e descontraído, mas mesmo um evento simples como esse exige energia. Fazer contatos, estimular professoras e alunas, conseguir mesas, cadeiras, tinas, fumo pra shisha, fotografia, som. Rezar para não chover. Coisas assim.

3. Lidando com as merdes da vida. Tocando um processos, cuidando de uma infiltração, resolvendo problema com a faxineira, tomando conta de gato doente.

4. Estudando. Pouco, mas sistematicamente. O último encontro com o orientador me animou. Diz ele que estou até adiantada, em comparação com outros orientandos dele. Medo.

5. Dando aulas. Muita aula. Dá canseira, mas é bão também. Ruim é quando você chega sem ter preparado absolutamente nada e tem que improvisar. E tenho improvisado demais para meu gosto, apesar de não parecer. Porque dar aulas também tem aquele elemento: quanto mais se ensina, mais se aprende. Eu sei, é cafona, mas é a real. Bem ou mal, estando lá na frente a explorar o movimento e a interpretação você também exercita. E acaba dançando melhor mesmo.

6. Bestando na internet. Daí o link ótimo do título. A gatinha-odalisca que ilustra o post, tirei de lá. Do genial Lol Cats: http://icanhascheezburger.com/

Não dá mais

I – Novo cráaaassico kitch da dança do ventre: Tapinha para virar o rosto.

A Saida faz, o povo faz.

Fooon. Preguiça.

II – Nego inventando o clássico onde não tem.

Tipo chassé em música raiz.

Sério. Sou eu ou gata é muito sem-noção mesmo? Tipos… não dá para sentir o ritmo, minha gente? É Salametha Om Hassan, folclorão.

Maquiagem de barriga

Tá com mais celulite do que o tolerável? Quer parecer mais saradinha para o show de final de ano?

Maquiagem ajuda, segundo a moça do vídeo abaixo. Esse ano devo dançar de vestido, mas anotei a dica. Parece que fica até bom. É engraçado pensar em maquiar a barriga, mas subir no palco com a pança branca e meio gelatinosa às vezes constrange, né?

E quem for tentando, dá um feedback!