Nossa amiga etiqueta

Tanta regra, tanta imposição! Essa é uma dança livre, sem regras ou fronteiras, pode-se fazer o que quiser, não? Não é bem assim. Essa é, sim, uma dança mundializada, transnacional; generosa, é praticada e ressignificada por qualquer pessoa que se proponha a dançá-la, mas não prescinde de cuidados. Cada uma de nós, praticantes, é responsável por sua imagem e há pequenos gestos que devem ser passados adiante para que a prática dessa dança conquiste o espaço e o respeito que merece. Além do estudo da história da dança, o apuro técnico e a entrega artística, devemos prestar atenção à nossa amiga etiqueta. Tem questões éticas no miolo, claro, mas essas foram tão banalizadas nesse meio – a maioria das que propagam códigos de ética são as mais anti-éticas – que prefiro pensar em atitudes elegantes, simplesmente. Proponho aqui cinco singelas dicas. Vamos a elas? Yallah:

1) Diga-me como se portas após o palco…

samiapesVocê dançou. Se dançou bem, está feliz; se dançou mal, está triste. Pode estar cansada, pode estar eufórica. Como todas no show, você está sujeita a mil sensações e pode ter feito das tripas coração para subir ao palco. Mas é aconselhável manter a postura de bailarina por todo o tempo em que estiver caracterizada como artista (i.e., alguém que apresentou um show para um público). Assim, se é convidada para o evento de alguém, esteja preparada para permanecer lá, de preferência com um sorriso no rosto, até os agradecimentos finais. Por diversas vezes vi bailarinas usarem o palco e saírem correndo para outro compromisso – mormente um evento familiar. Não ficar até o final é desrespeitoso. O que nos leva ao segundo tópico:

2) Suba ao palco somente se estiver preparada

cropped-ro4.jpgComo bem nos lembra minha querida amiga Paula Braz, você, querida artista, é uma prestadora de serviços. Como tal, deve dedicação ao público que paga para ver um bom show. Aluna que falta aula, ensaio, professora que apresenta leitura musical mal-feita por falta de estudo… Não teve tempo de estudar a música? Como assim? Tive uma conversa interessante com uma menina na escada de incêndio no Mercado Persa (a.k.a. fumódromo) deste ano. Ela estava ansiosa, era iniciante e iria se apresentar pela primeira vez em público. Cara, como uma professora coloca uma aluna iniciante sobre o palco de um evento como esse? Não seria mais apropriado promover pequenos eventos para amigos e família antes? Estrear para um público que espera excelência é ser jogada aos leões. Fuja, aluna! Run for your life! Mude, professora! Aprenda a cuidar de quem confia sua autoestima a você.

3) Figurino é para o palco! 

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Contenha sua vontade de exibir aquele figurino lindo para todos na rua. Pega mal demais. Use uma abaya, que é basicamente uma capa, para circular de figurino fora do palco e dos bastidores. Pode até improvisar um véu enrolado se não tiver algo mais apropriado. “Mas o corpo é meu, exibo como quiser!” Sério que sair vestida de bellydancer é sua proposta política? Logo em dia de show? Para não achar que é moralismo meu, dá só uma olhada na opinião de outra pessoa do meio, a Vera, aqui, ó. Se apruma, menina!

4. Quem é a professora, afinal?

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Essa é para as estudantes. Não corrija ou tente “ajudar” a coleguinha durante a aula sem ser solicitada. Aliás, se a colega pedir ajuda, ofereça o esclarecimento de que há uma professora em sala de aula justamente para ajudá-la. Além de ser um nicho perfeito para a proliferação de boatos e mal-entendidos, essa “ajuda” atrapalha a aula, desautoriza a professora e pode levar a enganos/erros/lesões. Afinal, a professora é a responsável pelo ensino e bem-estar de todas da turma.

5. Guarde sua arrogância para você.

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Porque aconselhar a abandoná-la não é minha praia. Quem nunca? Mas dá para segurar a onda, ainda mais se você é considerada uma referência em qualquer coisa. Se a dica anterior foi para as singelas estudantes, essa é para os medalhões da dança. Cuidado com o modo como se refere ao trabalho do outro. Lembro-me perfeitamente de minha primeira visita a um bem-conceituado centro de dança em SP, anos e anos atrás.  Eu e minha aluna fomos recebidas pelo proprietário que, enquanto nos regalava com poses para fotos, perguntou onde estudávamos. Contei que era professora e imediatamente ouvi: ” Ra ra ra, engraçado como em Brasília só tem professora!”. Fiquei muda. O que essa pessoa sabia a meu respeito? Nada. Mas se julgou no direito de duvidar/ironizar minhas afirmações. Para esse sujeito, professora provavelmente eram apenas as que ele conhecia. Podre. Passei por outras demonstrações gratuitas de arrogância, inclusive esse ano, no MP. Mas esse exemplo é o que melhor ilustra a) a desinformação quanto o nível de profissionalização em outros centros de dança fora de SP, b) o despreparo de profissionais nacionalmente conhecidos no trato com o público e c) a arrogância pura e simples de muitos desses profissionais.

Enfim, queridas bailarinas, essa é minha pequena contribuição para um mundo melhor.

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Brincando de escolinha. Ou qual é o real valor do seu trabalho?

Muito já se falou da leviandade de algumas mulheres que começam a atuar em meios profissionais seja ensinando ou dançando. Pessoas que não estudaram o suficiente ou se dedicaram o suficiente para preencher funções que exigem necessariamente estudo e dedicação são alvos de queixas e reflexões há tempos. Mas a falta de comprometimento pode ser mais grave: pode ser sistêmica, irreflexiva e desleal.

Fazer um show profissional é coisa séria: precisa apresentar uma dança segura, madura e eficiente, como exige o campo do entretenimento remunerado. Precisa se fazer bonita: ter um figurino fino, ser pontual, portar uma maquiagem impecável, cabelos em ordem. Precisa saber fazer bom uso dos acessórios, pois todos os contratantes querem bailarinas que dancem com véu, espada e o que mais fizer de sua festa um evento memorável e de bom gosto. Não é fácil ser bailarina profissional. Preparar-se para garantir o brilho do evento dos outros exige uma formação continuada e dedicada. Um show desses não pode ser baratinho. E já falei sobre esse assunto há tempos.

Dar aulas, por sua vez, é ainda mais complicado. A professora de dança do ventre tem por função não apenas transmitir técnica e criar seqüências. Ela é também um espelho do corpo da outra. A professora dessa matriz de movimento inspira, indica e incute valores que dizem respeito ao feminino; a sala de aula é, afinal, um espaço de trocas de idéias entre mulheres e a figura da professora é central.

Além do possível papel ideológico (trata-se, enfim, de um meio bastante heterogêneo), todo profissional da educação é responsável pelo bem-estar de seus alunos enquanto estão sob seus cuidados. Isso inclui saber como conduzir uma aula, do alongamento ao relaxamento. O serviço contratado é proporcionar dança, mas também bem-estar. Um exemplo bem banal é saber se a aluna tem histórico de labirintite na família antes de achar que sua dificuldade em executar seqüências de giros é fruto de falta de exercício. É saber escolhar as palavras para explicar, para relaxar, para brincar e para falar sério. Saber adaptar o movimento e a aula em si às necessidades de cada aluna é resultado de observação, atuação, dedicação.

Uma professora de dança do ventre de qualidade não se forma da noite para o dia e não é fruto de cursinhos de formação genéricos, que, no mais das vezes, batem na mesma tecla: seqüências clássicas de Reda, conhecimentos básicos de acessórios, decoreba de ritmos, uma bobagem ou outra de anatomia e zero noção de didática e sensibilidade em sala de aula. Mas essa é uma conversa deveras comprida para esse pequeno retorno ao blog.

Essa professora que compreende, ensina e se dedica fez aulas regulares (matriculada em um estúdio) por pelo menos três anos. No mínimo. Nesse período, deve ter consumido pelo menos dois workshops por ano para se manter atualizada. Varou noites estudando, pesquisando, procurando compreender (e não simplesmente decorar) ritmos, estilos e nuances da dança. Consumiu figurinos, acessórios, vídeos, música. Certo dia, conseguiu começar a ensinar. Seguiu ensinando. Quanto ela recebe por todo esse investimento financeiro, intelectual e emocional?

A maior parte dos estúdios que conheço pratica parceria sobre mensalidade por aluna. A escola atrai as alunas e as distribui de acordo com a disponibilidade de cada cliente. Assim, obviamente, as professoras com horários mais procurados e maior carisma (leia-se habilidade para manter as alunas interessadas) têm maior retorno. Mas todas sabem quanto vão receber e que aquele valor não será uma ninharia com base no valor da mensalidade cobrada. Mesmo que essa mensalidade seja tristemente baixa relativamente a outras atividades físicas. Todavia, é uma professora valorizada.

Não consigo compreender, porém, como uma professora pode aceitar dar aulas para turmas lotadas recebendo porcentagem sobre uma mensalidade simbólica. Isso acontece quando a escola inscreve-se em sites de compra coletiva. Mensalidades de dança do ventre a R$30 em uma cidade que tem um dos metros quadrados mais caros do Brasil. Não estou nem falando do meu lado, o de proprietária e diretora de escola. Isso pode ficar para outro momento. Estou pensando unicamente no lado fraco da corda. A professora que se convence de que vai, sim, ser bacana, trabalhar com turma lotada por, sei lá, três meses, e receber algo em torno de R$60 por mês/turma, se muito.

Uma profissional do pilates me contou indignada sua experiência com uma dessas promoções. Ela recebia R$15 por aluna (são aulas individuais, para piorar). Pilates exige um estudo muito aprofundado. A pessoa é formada em fisioterapia (que, em Brasília, não é oferecida pela UnB, ou seja, ela precisou pagar caro por sua formação) e recebia esse valor por hora trabalhada. As alunas não ficavam: pulavam de oferta em oferta.

A professora de dança do ventre que topa ser parceira do estúdio que trabalha com sites similares acredita, de fato, que essas alunas de cupom vão seguir estudando? Que pagarão a mensalidade regular ao fim da promoção (há promoções com duração superior a seis meses)? Essa mensalidade pagará a gasolina para chegar até o estúdio, pelo menos? Dá vontade de rir e chorar, juro.

Há tantas perguntas e o tema é interminável. Mas o que queria mesmo com esse texto era levantar a bola desse tipo de discussão: a professora de dança do ventre presta um serviço a seu próprio ego ou ao legado da dança? Se prestam ao próprio ego, por que é professora, em se considerando que uma das premissas do educador é a negação do egoísmo? E, principalmente, se os estúdios especializados não valorizam financeiramente a dança do ventre e ficam brincando de escolinha, quem o fará?

Baladi

Nesse semestre minha turma de intermediário vai começar a estudar o baladi. Estilo difícil, sutil e encantador se bem-feito. Daí, como na terça não teremos aula (BRASILLLLLL!!!!!!), vou aproveitar o bloguinho para relacionar alguns vídeos para estudo:

1. Tamar Bar-Gil

Um dos meus preferidos. É uma bailarina israelense. Gosto do iníco minimalista, mas não curto a parte final (o desenvolvimento ritmico), talvez tenha a ver com a edição do vídeo. Observem o prolongamento das frases melódicas, que coisa linda:

2. Joana Saahirah

Mais uma contemporânea. Descobri esses dias, então não sei muita coisa sobre ela, apenas que é portuguesa. Gostei bastante dessa dança, que demonstra aquele modelo de leitura de que falei na aula de ontem: muita ondulação, com economia de marcações melódicas:

3. Orit

Adoro essa bailarina israelense (nuss, duas israelense em um post sobre dança árabe é interessante!), mas não curti a expressão e a dramaticidade do início: baladi é pra ser mais introspectivo, uma dança pra dentro, que se abre à medida em que a dança se descortina. Mas fica aí sua interpretação para um baladi lindo do Mario Kirlis.

4. Maria Aya

Quase um clássico. A grega Maria Aya faz um baladi informal na cozinha. Maneiríssimo (tá, sou véia mesmo e uso gíria de véia)!

Clássicos:

1. Fifi.

Sem mais. Quer arrasar no baladi? Então toca estudar essa mulher.

2. Deus (a.k.a Suhair Zaki)

O baladi aqui parece ser parte de uma rotina maior, mas dá para ver a interpretação dela:

3. Deus de novo

Dançando a linda “Hassan”:

4. Deus novamente

A partir dos 2:10 ela engata num baladi:

O que você quer dançar?

… Ou melhor: quem você quer ser? Na dança do ventre, não dançamos uma música qualquer. À medida que vamos conhecendo a diversidade musical e estilística da dança, percebemos que a expressão e o sentimento precisam variar. Não dá para dançar “Batwaness Beek” com a mesma energia, expressão e empolgação com que dançamos “Talakik” (ou qualquer outra do Hakim), por exemplo. Nem plantar uma cara de sofrimento para dançar um shaabi (aliás, cara de sofrimento deveria ser banida fora do Egito. Mas deu pra entender, né?).

Expressão não surge do nada. Emerge da emoção que a música te traz. E não acontece só no rosto; a bailarina precisa convencer o corpo todo de que ela é o que a música diz. Nessa, a bailarina pode ter algo do ator: cria personagens ou traz à tona partes de sua personalidade. Porque pouca gente é uma coisa só todos os dias. Experimentamos várias maneiras de nos endereçar ao mundo: somos mal-criadas às vezes com a atendente de telemarketing (Pô, ela precisa parecer robô sempre? Morro de pena quando sou grossa, mas puta merda…); um poço de gentilezas ao conhecer um novo gatinho; uma rainha perto da colega de trabalho xarope que dá vexame em reuniões; uma lavadeira ao falar mal da vida com a melhor amiga… e por aí vai.

Na dança é a mesma coisa: podemos ser qual suburbanas quando dançamos um shaabi; fadas quando dançamos uma música clássica etérea; mulher fatal num solo de derbake daqueles bem impactantes; doces princesas na descoberta de um baladi. Ou o que a imaginação mandar. Inclusive mocinhas contemporâneas, seguras de seu poder, que brincam com sua sexualidade, cheias de quereres, quando interpretamos uma música periguete.

Sempre brinco disso em minhas aulas. No ano passado minha turma de intermediário virou lavadeira até julho – aprenderam fallahi, dançaram com o jarro e foi su-ces-so. A partir de agosto, precisaram incorporar uma bela, doce e etérea princesa de contos de fadas – dançaram uma música clássica, com saia rodada, esvoaçante, cheias de giros, arabesques e movimentos aéreos. Adoraram. Assim a gente vai conhecendo nossas possibilidades.

Nesse semestre devo trabalhar meleah laff. A mulher que, como muito bem explicou a Lory, pode ser suburbana ou burguesa, mas é sempre despachada. Bora colocar essa mulher pra jogo! Em cima do palco, podemos ser quem a gente quiser.

P.S.: o mais interessante desse exercício todo é que sempre temos nossas preferências, ainda que façamos mil papéis.

Depois do avançado vem o que?

Em janeiro o Ayuny vai lançar seu método. É. Método para o ensino da dança do ventre. Já começamos a aplicá-lo parcialmente, ao menos no tocante às diretrizes gerais para o desenvolvimento da aluna e as regras de mudança de nível. Em nossa escola organizamos o aprendizado da aluna nos seguintes níveis: básico A e B, intermediário A e B e avançado. Nenhuma novidade nisso. O método não revoluciona aí, mas sim no conteúdo que se espera que uma aluna apreenda para a mudança de nível.

O mais importante não tá bem aí. O importante é que as turmas não mudam de nível como um todo; a aluna é que muda de turma/ professora. E isso desata um pouquinho de chororô. Pelo que pude aferir, mais das professoras do que das alunas. Expliquei às minhas alunas de iniciante logo no início: vocês irão se desenvolver e passarão para outra professora. “Ah, não!”, “Ah, fom!”, “Ah, nem!” Até que elas viram a carinha da próxima profe e ouviram mais um pouco sobre a cuidadosa seleção de profes da escola e tal e coisa. Daí se empolgaram e ficaram felizes.

Só que a maior parte das professoras que conheci nessa vida se apega mais às alunas do que estas a elas. Já rolou comigo. Quando comecei a alçar vôo rolou desconforto; quando alunas alçam vôo dá aquela dorzinha de saudade. É isso aí mesmo, assim é a vida, que é uma loucura, um eterno aprendizado [/Narcisa].  É importante mudar de professora sim. É primordial, principalmente depois do intermediário. Porque a bailarina vai se formando. Se fica com a mesma “tia” a vida toda, vira um pastiche dessa tia. Não desenvolve estilo próprio, leitura musical própria, coreografias próprias. Vira tudo uma cópia da professora. Ruim, né? Você não quer pra você. Vai querer isso para suas alunas? Não.

Então aí começa outro dilema: a idéia de subir para o avançado ou para o inter B não agrada a algumas alunas. Talvez por medo da resposabilidade para algumas, já que nesses níveis espera-se que as alunas já esbocem autonomia. Mas na maior parte das vezes eles têm medo de que a brincadeira acabe. Porque é bom demais só ficar fazendo aulinha. Bão demais encontrar a mesma turma, dançar sem muita preocupação. E aí a dúvida: “depois do avançado vem o que?”

Vem o que você quiser. Vem mais aulas. Vem a possibilidade de ir fazer aulas na turma que quiser porque a professora X tem um estilo único e interessante de ensinar. Vem a possibilidade de fazer aulas com um músico que vai te virar de cabeça para baixo. Vem a possibilidade de enfrentar ainda mais aulas e se tornar uma professora. Ou você pode simplesmente continuar dançando, cada vez mais autônoma, na escola ou fora dela.

Parece cliché, mas é uma verdade: não há professora que não precise mais de estudos. Estudar sozinha a vida toda não é uma opção. Precisamos a todo o momento aferir nossa capacidade e apreender novas maneiras de dançar, entender a dança, ensinar. A professora ou qualquer outra profissional da dança que não segue tomando aulas estagna. Estagnada, como seguir cativando?

Orgulho plus!

Nenhuma pessoa equilibrada começa a fazer aulas de dança do ventre pensando em ser professora. Lembro-me das primeiras apresentações públicas e da insistência de Zamzam, minha professora, para que eu aceitasse o cachê. À época eu não percebia que ela estava, na verdade, me ensinando a ser ética, mas isso é outra história. Naquele tempo, me interessava apenas dançar e eu jamais imaginava que, alguns anos depois, eu iria me profissionalizar na prática da dança do ventre. Por incentivo da própria Zamzam, comecei a dar aulas. E fui gostando. E descobri que, enquanto houver forças, continuarei a ser uma professora de dança do ventre. Porque pode ser chato às vezes; pode ser maçante; pode ser exaustivo; pode ser uma pressão dos infernos às vésperas do espetáculo. Mas a compensação… nossa, é de arrepiar os brios de qualquer uma que leve a sério essa função. Ver uma aluna sua se destacar é uma injeção de auto-estima para a professora.

Pri, Carol e Lu
Pri, Carol e Lu

Hoje a aula extra da Contours – a academia onde malho (é, eu retornei. Assunto pra outro post) – foi dança do ventre. E a Pri, minha aluna linda do Ayuny e aluna da Contours, foi convidada para se apresentar e dar uma mini-aula. Perguntou pra mim o que eu achava e tal e coisa e eu disse o “vai fundo” mais feliz da minha vida. Ela é uma aluna de nível intermediário, já fez dança cigana, já passou por várias professoras e tem uma maturidade de dança muito bacana. Ajudei a pensar no conteúdo da mini-aula e fui lá hoje conferir. Ela dançou muito lindamente, apesar da timidez. Mas o mais bacana foi a aula: tranqüila, didática, doce, educada, suave, paciente e, o mais importante, segura. Ou seja, ela demonstrou vários requisitos para a prática docente da dança do ventre. Eu me derreti! No final, dançou mais uma, de improviso. Desta vez mais tranqüila, mostrou que estuda a sério e que será uma excelente bailarina.

Aí cumulei a menina de elogios até não poder mais. E ela: “ai, Roberta, que exagero!” Ela tava sabendo que não desperdiço elogios e que sou sincera até quase o ponto da grosseria, então ficou toda feliz. E só o que disse a ela no final foi: “gata, quando você tiver suas alunas, vai saber o que senti hoje”.

Orgulho é palavra pequena para quando vemos alguém que confia na gente aplicando o que ensinamos.