Lucy

Todas temos nossas bailarinas-heroínas. Pode ser a primeira que você estudou de verdade ou aquela que de fato de capturou. Toda bailarina tem alguma preferida. Cada bailarina tem sua tônica. O diferencial pode estar na técnica ou na interpretação. As minhas preferidas sempre foram as que se destacaram pela interpretação. Técnica, para elas, é o caminho por onde desfilarão a emoção da música. Fifi, Suheir Zaki, Dandash e Lucy são algumas das bailarinas desse estilo. Há as super-técnicas e nem por isso menos interessantes: Dina, Amani, Randa, por exemplo.  E há as que ninguém consegue explicar por que exatamente são as preferidas de alguém, tipo a Jillina (ops, escapou!).

A preferida da Vivi é a Fifi, disso eu sei! ^_^ A minha é a Suheir Zaki, impecável, mesmo sob uma terrível maquiagem. Mas tenho também uma outra “ídola”, que me fez compreender que sutileza e doçura seriam meus objetivos na dança: a Lucy. Meu primeiro contato com a Lucy foi com um documentário da National Geographic sobre dança do ventre no Egito. Ela estrelou a fita, que mostrava uma dança do ventre cheia de glamour, dedicação e preconceitos. Depois disso, comprei uma fita VHS com a Olga Naboulsi, em São Paulo. Praticamente comi a fita. Tinha dois shows dela; um jantar estranhíssimo e um show ainda mais estranho, com praticamente nenhum público, meio decadente, meio deprê, pensando agora.

No primeiro ela dançou esse saidi bacanérrimo e divertido:

Dançou ainda mais algumas músicas, entre elas uma belíssima que ela repete no show posterior. E o legal é a gente poder verificar o quão diferentes eram as duas danças. O segundo show, em uma casa noturna, era mais amplo: o show DELA. Ela canta (mal) e faz um khaligi horrívi. Mas, à medida em que o show avança e que a casa se esvazia, ela vai ficando mais intensa. As duas grandes músicas desse show (as duas apresentações que assisti sem parar) valem todo o esforço de ter ido a São Paulo comprar esse vídeo – quando comecei a dançar a internet não era essa festa toda. A primeira música, mais curta, já mostra a que veio. Não me lembro o nome, mas era linda e introspectiva. A segunda é “Ana we elazeb we elhawek”, aquela do meu último vídeo. A banda executou a música de uma maneira absolutamente maravilhosa. Rola um flagrante dela torcendo o nariz duas vezes para a banda, que teria errado alguma coisa. Bom, de todo modo, o bacana é que você consegue acompanhar os momentos da bailarina sobre o palco. Ela simplesmente passa a ignorar a platéia (agora praticamente vazia) e começa uma viagem maravilhosa na música. Quando o ritmo se desenvolve para a rumba, aí é que a coisa fica interessante mesmo; o vídeo a pega de perfil, contra a luz, e ela está simplesmente dançando sozinha. Como se ninguém estivesse vendo.

Isso me arrebatou sobremaneira. E vi que era o que queria para mim. Claro que não dá pra fazer isso todo o tempo. Não dá para dançar num restaurante como se o público não estivesse lá; dependendo da música e do contexo, dá para fazer isso sobre o palco, mas no geral, é raro. Mas aquela impressão, da dança perfeita feita para agradar a si, ficou como um ideal.

Hoje a Lucy não se parece em nada com a grande bailarina que conheci em 1998. Nossas inspirações também murcham. Envelhecem. Se cansam. Falham ao se adaptar. Mas deixam o perfume do momento em que nos capturaram.

6 comentários sobre “Lucy

  1. Neguinha, vc me faz querer assistir a Lucy de novo. Tenho aqui o dvd desse seu vhs. Vi 1 ou 2 vezes e não me senti envolvida com nada da dança dela. Vou olhar com mais atenção. Faz anooooooos que vi esse material e depois não voltei para redescobrir seu conteúdo. Passo aqui depois para contar alguma coisa. Beijos e bom final de semana.

  2. E é esse momento que nos dão base e referência na construção da nossa dança, né fia? A Fifi me arrebata pela energia de ‘dona de cena’ que ela tem. Gosto da Lucy também e me junto à Lory: faz tempo que não revejo os vídeos dela….Vc me reanimou.

    Essa coisa de dançar como se o público não estivesse lá é maluco. Ainda não me abstraio o suficiente numa apresentação para chegar a esse ponto. Bem… teve uma vez, em Salvador, onde eu me apresentava dançando Oum, e me envolvi muito com a música, com o momento… Essa foi a única vez, até hoje, em que apaguei para o público. Mas foi rápido, não durou até o final da música. Mesmo assim, foi muito, mas muitíssimo bom!

  3. Gosto é um negócio muito louco, né?
    Souheir me leva às lágrimas, Fifi me hipnotiza. Assisto Naima por horas (com todos os defeitos especiais e tosquices figuirinísticas da época).
    Mas Lucy não me diz NADA. Assisto, assisto de novo, reassisto. Não gosto. Não gosto dessa leitura de said dela. (Prefiro os coristas habibões.).
    Quanto mais passam os dias mais eu chego à conclusão que nasci num nível altíssimo de ranhetice.

  4. Oi Rô, minha diva maior é a Taheya Carioca, mas Souheir também me enche de inspiração.
    Isso que vc sentiu na dança da Lucy interpretando Ana we elazeb we elhawek eu senti vendo um vídeo da Soraia (acho que dos 15 anos de Khan El Khalili).
    Eu olhei ela dançando e pensei, é isso que eu quero, me divertir assim dançando, inshalah consegui!

  5. Flor, assisti de novo. É difícil chegar no final desse dvd. No começo, a Lucy tá com aquela carinha de nada, uma dança meio tímida, uma postura que as vezes me incomoda. Adiantei e fui para as duas últimas danças. Aí sim a gente vê uma leitura primorosa, original e despreocupada com o que vão achar dela. É bem legal, sim, mas não encheu meus olhos. O que realmente me deixou animada foi a originalidade dela em cena. Nunca tinha visto nada parecido. Nesse ponto, dou meu braço a torcer, mas, no mais, a Lucy continuou, na minha humilde opinião, no mesmo patamar que estava antes – não me inspira. Mesmo.

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