Prestígio

Belo sábado, cuidando de minha escola – estamos sem recepcionista -, ponho-me a ler o jornal local, que tem uma seção de anúncios gratuitos. Meu coração de microempresária vai à garganta ao ler o seguinte anúncio:

Dança do Ventre para crianças, adultos e idosos. Todos os níveis. Vários horários. R$55.

Seguido do nome e telefone do estabelecimento. “Morri”, pensei. Logo me toquei de que estava viva e liguei pro lugar para perguntar o básico “comé-qui-é-mermão?”.  Bão, é uma escola bem estabelecida no ensino da dança flamenca e que quer se inserir no mercado bellydance. Tem apenas uma turma (sim, 01. Pelo visto, para crianças, idosos e adultos. Tudo junto. Sacode no liquidificador. Vê se dá pra engolir) que rola duas vezes na semana. Daí funciona assim: 1 aula sai a 55 dinheiros e 2 aulas sai a 75 dinheiros.

Bonito, né? Peraí, peraí, que ainda vem o melhor!

Perguntei:

– E quanto é a aula de flamenco?

– Aaah, o flamenco é R$150,00, duas horas por semana.

– Nossa, que diferença! O flamenco é melhor, mais difícil?

– É muuuuito diferente.

Ah, tá. Pois é. Pra ir fazer dança do ventre nesse lugar não precisa nem agendar. Pro flamenco, mil recomendações.

Que palhaçada.

14 comentários sobre “Prestígio

  1. Esse povo deve ser do mal porque tentei postar um coment e travou tudo!

    Cruzes!!

    + +

    Bem, depois de me benzer venho explicitar minha modesta opinião sobre o ocorrido. Não é palhaçada. Palhaço é profissão de gente séria. Esses donos da Tabajara Danças de Caráter (ou melhor mau-caráter), que trituram a todos com suas danças de fast-food-shake no liquidificador bem apontado por você, não fazem parte do circo. Fazem parte dos campos de concentração e das câmaras de gás! São exterminadores da dança.

    Vou abrir uma turma de flamingo mês que vem. Todo mundo de rosa e penas na cabeça, ok? Capaz de lotar! Ah, to cobrando 5 conto a aula avulsa.

  2. Infelizmente isso acontece aqui no Rio também, as pessoas não querem fazer aula em escolas especializadas porque acham “muito caro”, se fosse outra dança…

  3. dançarinas do mundo – não se abalem. há bailarinas de flamenco reclamando das mesmas coisas em algum lugar na espanha. respirem e mantenham os quadris mexendo! a dança do ventre é para seres LIVRES. haverão aquelas que passarão, mas nós PASSARINHAS!
    : )

  4. Amiga, dói, mas isso tem isso o comum: perguntei na minha escola de ballet se lá tinha dança do ventre. A professora disse que sim. Quis saber mais e eis o que escuto: “a turma é composta por iniciantes e intermediárias. Na verdade, como a dança do ventre é mais terapia, não precisa desse negócio de turma pra iniciante e intermediária”. Sentiu o drama?

  5. uai, Flamenco tb pode ser terapia? neh não?
    fiquei possessaaaa!
    que absurdo! desrespeito total a dança do ventre. sempre somos consideradas como uma dança menor!
    fico sentida pela ingenuidade da professora de dança do ventre dessa escola que se submete a esse papel. uma pena!

  6. Amiga, chega a ser uma falta de respeito com a gente (eu, Vivi, Lory e demais bellynerds gaúchas) a total falta de resposta de sua parte às varias citações e convocações que fizemos à sua pessoa em nossos blogs e orkuts.
    Tipo, heloooooooo!

  7. Oi Roberta,

    vou escrever em protesto!!!!

    essa “prestígio” todo para com nossa dança querida é de dar nó no estômago.

    tenho várias paravras em mente para expressar indignação, mas nem vou escreve-las aqui….
    só digo uma coisa:
    o valor das coisas é reflexo da atitude de valor das pessoas…

    beijos

  8. Aqui em Goiânia padecemos desse mal: parece-me que ele assola todo o país. Se faz aulas de flamenco na academia mais bem conceituada por R$120,00 a aula (isso mesmo, se for 2 x na semana é 240…) e a dança do ventre com a professora mais conhecida e numa das maiores academias (que não é especializada em dança do ventre, é academia mesmo)que temos aqui é R$80,00. Tem uma professora que consegue cobrar R$ 100, 00 por mês…Ninguém merece….Essa de ser terapia…Não dá mais pra engolir, faltou falar do poder de realinhar os chakras e das cores das roupas terem significados…
    Não suporto essa ondinha ridicula de fazer a DV ser menos porofissional e menos dificil do que as outras danças…Temos que fazer algo a esse respeito!

  9. Acho que temos que criar uma associação, sociedade, sindicato,cooperativa, qualquer coisa do gênero. A união formal talvez tenha algum resultado. Só ficar indignado sem meter a mão na massa, falando de tudo e todas sem fazer nada, não alcança objetivo algum, só se perde tempo e energia. Quem sabe transformamos essa indignação em algo concreto?
    Somos profes, empresárias, artistas, blogueiras, pesquisadoras incansáveis. Mas também criticamos incansavelmente. Tá na hora de colocar a mão na consciência.
    O maior problema não é a dança do ventre ter preços mais acessíveis.Acho justo e proporcional à imagem ainda deturpada que ainda temos.
    O flamenco que é caro! E a maior razão não é que elas tem formação acadêmica. A origem e a disseminação errônea da nossa arte contribuiu para este conceito. É dificil ver alguém aqui que tenha feito tudo sempre nos conformes. Veja por ex., o post de Lory sobre o balé. Há um paternalismo europeu por trás de tudo.
    Querendo ou não, temos que admitir que a dança do ventre no Brasil é vista de forma marginal por muita gente, ainda. E isso não se resolve só elevando os valores financeiros ou pisando nas bbds.
    Em primeiro lugar, dança do ventre, por mais que doa esta verdade no coraçãozinho de vocês, no oriente, é dança de prostituta. Como diria Samara, as mais prostitutas são chamadas de bailarinas. Karina Iman que o diga neste momento. Está sendo testemunha de tudo isso, lá no Marrocos. Como elevar o nível, com esta bagagem histórica?
    De fato, todas nós já sabemos que dança do ventre tornou-se uma arte desvinculada deste propósito original, com sua ocidentalização. E o caminho é por aí. Pegar este gancho e divulgar a dança com um propósito definitivo, produzindo ótimos shows, usando figurinos mais adequados, educando o público com um material decente e de bom gosto, explicando tudo certinho. Esqueçamos temporariamente as danças esdrúxulas da colheita de São Benedito da Babilônia e se concentrem num objetivo certeiro. Mostrem o arroz com feijão bem feitinho e sem pressa. Preparem-se por mais tempo, mas realizem o pouco com certeza do muito. Cuidem dos pequenos detalhes. Participem de palestras, não fiquemos só no mundo blogueiro. E isso é só o começo.

  10. Eu proponho uma união da classe, começando por nós do blog mesmo. Mas temos que passar por uma transformação também. E tenho certeza que juntas teremos muitas idéias fantásticas. Uma delas é fortalecer nossos vinculos. Aqui no sul já ta rolando (viu, Salgueiro!) e acho que seria muito válido que pudéssemos começar a nos reunir através de nosso trabalho. Vamos tentar se conhecer, enviar materiais umas para as outras, divulgar o trabalho umas das outras, possibilitar ou facilitar a vinda de pessoas deste grupo à nosso estado. Se o nosso objetivo comum é refinar a dança, apenas conseguiremos isso com muito trabalho, informação qualificada e ajudando a educar quem ainda não se encontra em comum acordo. Vamos escrever coisas que construam de fato a melhor imagem da nossa dança e mostrar que sabemos falar e agir em prol dela, para o máximo de pessoas possível.
    As meninas blogueiras e professoras que aparecem por aqui, quero conhecer o trabalho de vocês.
    Roberta, seu blog vai ficar mais famoso ainda a partir de amanhã, ok? Para todas nós, vc tem sido uma referência importante na dança, pois abriu a possibilidade de discussão e pesquisa aprofundada na dança do ventre brasileira. Tá nessa comigo ou não? Alguém mais se habilita?

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