De personalidades, doçuras, rudezas e melindres

Sempre me disseram que tenho “personalidade forte” e que eu não sou uma pessoa “fácil”. Não entendia bem a que aspecto da minha personalidade se referiam como forte ou difícil.  Era por falar muito, sobre qualquer tema que me interessasse? Era por ter opinião sobre sobre as coisas e pessoas? Era por não me adequar muito ao esquema mocinha-unha-feita-que-não-fala-palavrão? Acho que, vindo de quem vinha, personalidade forte e gênio “difícil” queria dizer que o melhor que eu deveria fazer à sociedade seria me retirar para um mosteiro ou similares cenobíticos.

De fato, não correspondo ao padrão machista de femininidade. Falo palavrão a torto e a direito. Por que não deveria? Não sou de mimimi. Não gosto de beijinhos e frufrus. Por que deveria gostar? Não quero ter filhos. Acho que a humanidade está de final. Não sou de fazer unha, detesto salão de beleza, não gosto de shopping e compro apenas o básico, quando necessário. Não leio auto-ajuda e me entedio com livros mal-escritos como Código Da Vinci e outros arrasam-quarteirão. Não tenho nenhum item cor-de-rosa ou de oncinha no meu armário (fora roupas de dança do ventre, onde o rosa impera). Meu celular é antigo e só vou trocar quando estragar. Gasto meu dinheiro com livro, comida boa, itens de papelaria e vinho. Quase não uso perfume e maquiagem, para mim, é blush e rímel. Só. Ou seja, sou uma mosca na sopa do marketing para mulheres, que vende a imagem da mulher fútil, consumista e narcisista.

No entanto, considero-me bastante feminina. Apenas não sou infantil. Não gosto que me chamem de “Robertinha”, nem que me façam mimos demais. Gosto que falem comigo como a mulher adulta que sou e falo com as mulheres no mesmo tom. Uma das estratégias sexistas é infantilizar a mulher e me choca ver que meu modo direto assusta algumas mulheres. Aparentemente algumas mulheres se ofendem com meu modo de me endereçar ao mundo. Não aprovam minha agência. Isso não apenas me entristece; isso me dá raiva (e ter raiva não é algo esperado em mulheres).

Enfureço-me porque cada vez que uma mulher se melindra com as posturas firmes está a um só tempo ratificando a pedagogia-padrão do feminino e rejeitando a agência feminina. Essa pedagogia que nos ensina, desde crianças, a falar pouco, baixo, com escolha cuidadosa de palavras (evitando palavras “difíceis” ou constrangedoras), em tom macio. A sentar-se sempre de pernas fechadas e a se movimentar o mínimo possível. A ficar em casa e evitar beber, pois fica feio a uma mulher sentar em um boteco ou ficar dando banda na rua. A cuidar de sua aparência o máximo possível, pois a mulher é um bibelô. A gostar de crianças para criar gosto pela maternidade. A consumir muito. A trocar beijinhos e mimos. A procurar um homem que dê “segurança” (ou seja, que tenha um emprego fixo, carro novo e aparência comportada). A amar a dupla jornada. A se ofender por qualquer coisa.

E não sei bem o porquê, mas a dança do ventre, parece-me, tende a valorizar esses supérfluos femininos. Muita gente busca a dança do ventre para “resgatar o feminino”. Mas a impressão que tenho é de que os itens femininos que as mulheres conseguem acabam sendo os mais superficiais. Poucas são as que vêm que o feminino está além de um corte de cabelo. Ser feminina e resgatar algum poder de gênero é também aprender a ser uma mulher adulta e desconfiar das armadilhas da imagem feminina midiática.

Leiam mais, mulheres. Ofendam-se com as coisas certas. Reconhecer seu inimigo é importante e, juro, não deixa a gente feia.

27 comentários sobre “De personalidades, doçuras, rudezas e melindres

  1. Abalou as estruturas Rô!!!!!

    Eu também não faço o gênero delicadinha, detesto flor e rosa somente com muuuuuita parcimônia. Mas sou consumista confessa, porém acredito que isso não me diminiu enquanto ser humano.

    A dança tende a potencializar todos estes fatores “girlies” da mulherada, e ainda acrescenta um up na fogueira das vaidades, é fogo lidar com essa parte!!!

    Obrigada pelo comentário, gatona! Também não acho que consumismo diminua ninguém. Aponto apenas as ciladas das imagens associadas aos produtos.

  2. Roberta, que texto incrível! E essa parte do documentário killing us softly é muito boa, já havia visto anteriormente, mas não poderia deixar de comentar aqui. O tom da apresentadora é exato e o texto corretíssimo.

    Mas agora fazendo a relação com a dança e os últimos parágrafos do seu texto tenho que dizer que novamente concordo com você.

    Não sei se estou sendo clara, mas percebo basicamente o seguinte: mulheres relacionam normalmente auto-estima à aparência desde muito cedo e ao tentar resgatar qualquer coisa delas mesmas através da dança acabam se perdendo na multidão de idéias vendidas do que é ter auto-estima e ser feminina. Entra assim a aula de dança com mulheres buscando o estereótipo vendido da mulher com jornada de trabalho tripla (filhos, trabalho doméstico e profissão) e ao mesmo tempo muito bem resolvida, bem disposta e abaixo do peso.

    Mas acho que uma das faces mais feias da “fogueira de vaidades” é dar margem ao discurso de que mulheres dentro de uma comunidade não são ou não conseguem ser amigas entre si porque se perdem em competições idiotas. Acho tão triste. E é um pensamento tããão patriarcal, tão “só a amizade masculina é verdadeira”, tão “last century”… e na dança, eu escuto isso tanto! Argh!

    Nossa, Rachel, é justamente o que tentei expressar. O imaginário da mulher invejosa ou incomodada com a outra mulher é tão agressivo! Também me canso de ouvir que “muita mulher junta é dose”. Acho que dose são os clichés sobre o universo feminino. Valeu a visita!

  3. Carai Roberta Abalou!! rs…
    Me identifiquei muito com o txt!
    Ainda bem que tem gosto para tudo…. e quem quiser que goste de vc assim!! Como diria a máxima de uma musica hitgay aqui em sampa: Só tenho tempo para ser feliz!! rs…bjokas

    Valeu, Deborah!
    ; *

  4. Iuhuuuu! É isso aí, vamos reaprender a ser mulher. Chega da tantas delicadezas, de ouvir besteira e abaixar o rosto. Sei que é difícil, porque sofremos uma lavagem cerebral pra agir assim, mas dá pra mudar, né? Ótimo artigo panfletário, Rô!

    ^_^

  5. Muito bom!

    Bom, eu sou uma pessoa calma, não gosto de conflito, mas minha família sempre me chamou de difícil, complicada, etc. Eu contei pro Alan e ele perguntou “como assim?? mas vc não tem nada de complicada!”. Mas eu acho que vc acertou na mosca – eu acho que tem a ver com o fato de que não subscrevemos aos estereótipos da mulher objeto sem agência. A mulher que sabe o que ela quer ou o que ela não quer ou que aponta os estereotipos machistas pelo que eles são é “difícil”, “complicada”.

    Mas tudo bem, não ligo não. Só espero que mais mulheres se tornem difíceis e complicadas. Mas o importante mesmo é que os homens (e mulheres!) não mais as vejam como tal.

    bjos

    Alexandra

    Misty, lembro bem de sua personalidade forte, poderosa, inteligente e muito feminina. Você abala tudo! Saudade daquela época de Ramones e Stephen King da veia.

  6. Roberta, é por isso que sou sua fã, e te acho linda, linda, sexy, expressiva. E olha que nem te conheço pessoalmente, nunca ouvi sua voz, o que pra mim é um pressuposto pra achar isso tudo da pessoa. E olha que gosto de homem (no geral) e não tenho motivo nenhum pra puxar o seu saco por interesse, porque não sou sua funcionária nem sua aluna. Concordo que o fato de a mulher ser interessante ou não independe de artifícios impostos pela mídia ou pela cultura, mas creio que isso funciona para quem tem tudo bem resolvido, as coisas no seu devido lugar, fez terapia, tem uma profissão de que goste, e não limite seu próprio valor pela aparência, ou pelo que os outros vão pensar dela. E esses outros pra quem tem a autoestima baixa são o mundo todo. Porque não é possível ser uma unanimidade. Claro que os artifícios ajudam um monte a levantar o moral de vez em quando. Não vamos andar embarangadas por aí. Pelo lado oposto, essa era uma das armadilhas estéticas pregadas pelo comunismo: o de que o cuidado com a aparência (falando só de aparência e não de comportamento) era coisa de pequeno burguês que não tinha assuntos importantes com que se preocupar. Tive colegas de trabalho ex-militantes que andavam propositalmente largadonas, porque isso era bem visto pelo partido. Pessoalmente, gosto de vez quando fazer um estilo pinup como teatro. Acho divertido sair por aí assim às vezes… justamente porque isso não faz parte da minha rotina. E toda vez que me monto para dançar fico tão deslumbrada coma transformação que baixa uma biba traveca em mim e chego à conclusão de que deveria me vestir assim todos os dias, para andar pela casa, ir ao mercado, etc. huashuashuas! Ainda bem que a sensação passa assim que chega o desconforto de ficar horas a fio com aquela roupa. Quanto à delicadeza proposta na DV é uma questão tão pessoal e difícil de abordar porque as aparências enganam. Boas atitudes contam mais. Não adianta a bailarina “parecer” delicadinha e sair por aí cometendo atitudes estranhas, desprezando os outros, achar que só ela tem direito a aplausos, a parecer na fotinhos, a ficar sempre na frente na aula ou no palco, a falar malvadezinhas em tom de brincadeira magoando as colegas, alunas etc. Pessoalmente acho que pareço, e muita gente diz que sou, delicada e meiguinha quando falo e tals, mas no fundo sei que sou uma megera autoritária que quero que tudo saia sempre do meu jeito, rsrssr, mas… tenho essa consciência e tento me controlar e trabalhar isso. No entanto, creio que a mídia é muito forte, está a serviço das grandes empresas e define até a cor da roupa que vamos vestir na estação que vem. E isso pra maioria das pessoas passa despercebido.
    E como a gente muda: já desisti de ter aula com uma prof porque ela falava muito palavrão e eu não me sentia bem com isso. Hoje, após observar o trabalho dela por alguns anos, acho que ela poderia até pisar em mim que eu deixava. Pena que os horários das aulas dela não batem com o meu.
    (Meu celular também é velho, velho, mas confesso que já estou com vontade trocá-lo. Adoro coisas com “design”!) Beijo (pode ser um beijo normal, não precisa ser muito mimoso não, tá?)

    É a mesma coisa por aqui quanto à estranheza da “montação” dos shows. Gosto sim de me arrumar, de ficar linda, cheirosa e, de vez em quando, maquiadona. Como disse minha amiga Liz, eu faço pose de durona e uso colarzinho de bolinhas, sainha e twin-set. De novo, por que não? Nesse post-desabafo (sim, eu estava muito brava quando escrevi) eu quis evidenciar o quanto o estereótipo do feminino é enganoso e enquadrante. Não é porque a pessoa usa sainha de babados (característica vendida como feminina) que não vai ser grossa com alguém de vez em quando (característica vendida como masculina). Não é porque a moça xinga um monte (característica vendida como masculina) que deixará de ser compassiva (característica vendida como feminina). E vice-versa.

  7. Falar sobre este assunto é bastante “cliché”, mas gostaria de dizer que, muitas vezes, sofro preconceito ao contrário. Como assim?? Sempre fui delicada, e muita gente me classifica como “fresca”, “Sandy” (esta é engraçada), mas digo: -SEMPRE ME RECUSEI A SEGUIR ESTERIÓTIPOS” Eu sou naturalmente assim. Aliás, medir o comportamento de uma pessoa porque ela usa ROSA OU ESTAMPA DE ONCINHA é o fim de tudo!!! Aliás achar que a Humanidade está perdida também é o fim!!! Nada tem fim QUERIDA TUDO SE RECICLA!!!!

    Eu não disse que rosa ou onça são proibitivos a uma mulher com agência, Ana Cristina. São uma proposta de vestuário historicamente identificadas com o feminino. Você não vê rapazes de rosa ou de oncinha, não é mesmo?

  8. Gostei muito do seu texto, sem papas na língua, claro e directo.
    Talvez goste de conhecer o meu blogue sobre sexismo e misoginia; é só clicar.
    Um abraço, Adília

    Tô indo lá!

  9. amei, Roberta ( nunca robertinha, mas Salgueirão!)
    hum…sabe…esse negócio de resgatar o feminino…eu creio que a dv tem muito a ver com a mulher atual sim! mas não porque é sensual, ou pq e´delicada…deixa eu tremer num solo de derback pra vc ver oq ue NAO eh ser delicada ahahahah
    mas tem a ver com a mulher de hj justamente porque a dança do ventre permite expressões múltiplas! vc tem espaço pra ser introspectiva num, taksim, alegre numa musica moderninha, rustica num saidi, descontraída num baladi, com leveza num inicio de uma clásica, etc etc etc…fora que cada uma , mesmo na mesma musica, traz sua propria expressão, gestual e leitura musical. e eh claro…vc bode ser alta, magra, uma bolota e ainda assim fazer os passos belos. Eu amo a dança do ventre porque é muito DEMOCRÀTICA.
    acho que tem mulher de todo o tipo e dança do ventre tb!

    Como de hábito, concordo contigo, Iris.

  10. O texto é pontual e polêmico sim, mas só ofende quem estiver , ainda, ‘mal resolvido (a)’. Eu adoro uma frescura, um apelido carinhoso, abraços e beijos, mas isso não faz de mim ‘a’ fresca ou fútil e nem joga no lixo minha pós-graduação, tampouco me desanima de beber todas e xingar muuuito! (vamos depois trocar os palavrões preferidos! rs) Você sabe bem o que escreve e como escreve e eu fico aqui, pensando, em como elogiar sem parecer demagoga e se respondo ou não aos outros que mal conseguem interpretar um texto e ousam vir aqui, emitir opinião. Bom, é a liberdade,não é? Eu prefiro ficar apenas com o melhor, teu post.
    beijos! e prometo que qdo te encontrar vou maneirar no açúcar.
    =]

    Valeu, lindona! Fiquei feliz demais com o comentário.
    ^_^

  11. Este tópico tem sabor de liberdade, Roberta…
    Me identifiquei muito com ele.
    Ainda esses dias tive que ouvir essa coisa do “você não é fácil”. Confesso que muitas vezes chega a ser extenuante lidar com o comodismo no “não pensar” circundante.
    Mas, sabe, a idade aumenta a maturidade; a maternidade também. Estou ficando cada vez mais complacente com as pessoas. Me irritando menos, com menos raiva de quem quer me tolir, me enquadrar.
    Minhas posições cada vez mais firmes, mas sem barulho, entende? Porque até essa raiva já não estava me agradando mais, então, me dou ao direito até me me contradizer: É, eu tinha raiva de autoritarismo sim, mas agora estou rindo dele.
    Não quero nem saber!!!!
    E olha que estou adorando usar rosa, vermelho, oncinha, frufru…Principalmente depois que tive minha segunda menina. Em casa tá uma mulherada que só!
    Não acho que isso me retira a firmeza. Me sinto apenas experimentando novas sensações.

    Beijos pra você!
    Obrigada por compartilhar suas experiências conosco!

    Anna, que máximo o seu comentário. Não consigo ainda rir com o autoritarismo – tenho medo da violência que se origina dele – mas, num dia comum, geralmente não sinto tanta raiva do posicionamento das pessoas. Amo o mundo feminino, amo mulherzices, apenas não gosto que sejamos reduzidas a itens de consumo. Beijos mil e obrigada pela visita.

  12. Roberta, ótimo texto para iniciar o acompanhamento do seu blog! Gostei demais. Especialmente da coragem em falar sobre a infantilização a que somos submetidas – que pode se manifestar em diminutivos, mas também numa fé inabalável na nossa dependência ao ser encenado como um estímulo positivo que surge nos condicionando quando temos algum comportamento lido como pouco autônomo e “cuidadoso”. Falo em coragem porque, pelo que observo, muitas vezes é encenado pelos parceiros mesmos (pelo menos comigo já rolou foi muito …).
    Considerei super pertinente a relação do feminino midiático e consumo.
    E quanto aos melindres? Orgulho de ser sua amiga …

  13. Ro, conheço esse tom, o que está acontecendo? Indignações à parte, está tudo bem? Quanto a certos posicionamentos que envergonham e humilham a beleza de ser mulher, geralmente me conforta a frase de um grande poeta, Mário Quintana, que na sua irônica sabedoria expressou: “cada um pensa como pode”. Ou seja, pin ups pensam como pin ups, babacas enrustidos pensam como babacas enrustidos, estreitos de pensamento pensam como estreitos de pensamento e Roberta Salgueiro pensa como Roberta Salgueiro. Percebeu a gigantesca diferença entre os diferentes modos de pensar? Seu nível é outro, bela, conforme-se com a grandeza. A propósito, vesti a carapuça, uso cor de rosa, vivo para o meu homem, amei parir. Cabe alguma exceção na lista que você fez? Um beijo da mulher mais mulherzinha que você conhece

  14. Quando vieram contra os negros, eu não era negro e não fiz nada.
    Quando vieram contra os favelados, eu não era favelado, não fiz nada.
    Quando vieram contra os homossexuais, eu não era homossexual e não fiz nada.
    Quando vieram contra as mulheres, eu não era mulher e não fiz nada.
    Quando vieram contra os desdentados, eu não era desdentado e não fiz nada.
    Quando vieram contra os analfabetos, eu não era analfabeto, não fiz nada.
    Quando vieram contra os pobres, eu não era pobre e não fiz nada.
    Quando vieram contra os cegos, eu não era cego, não fiz nada.
    Quando vieram contra os aleijados, eu não era aleijado e não fiz nada.
    Quando vieram contra os outros, o assunto não me dizia respeito e não fiz nada.
    Quando vieram contra mim, ninguém me defendeu.

    Quem não é vitima de discriminação e abuso sempre pensará que o sofrimento do outro não é grande coisa, que é exagero.

    Alguns acham que discriminação nem existe, que não existe discriminação contra negros, contra mulheres, contra homossexuais, aleijados, favelados, pobres…

    Assim seguimos e fazemos todos os dias, desprezamos ou diminuímos o sofrimento alheio.
    Não dando atenção à dor do outro nos condenamos a sofrermos em
    silêncio, a sofrermos sozinhos a nossa própria dor. O preconceito só existe porque o silêncio favorece os opressores.
    Quem, acovardado, se omite, concorda com o abuso. Quem concorda com o abuso, será abusado ouvindo o silêncio cúmplice dos outros.
    E tudo parece muito normal, tão normal quanto sofrido e solitário.

    SÃO AS FRASES FINAIS DE UM DOCUMENTARIO CHAMADO “OLHOS AZUIS” MUITO BOM NÃO SEI SE CONHECE É UM DOCUMENTARIO DE JANE ELLIOT EM UM TRECHO ELA FAZ NA SALA EXATAMENTE A EXPERIENCIA DE COMO A MULHER É TRATADA DENTRO DA SOCIEDADE UMA CRIANÇA AMPLIADA E BIBELÔ, COMO MEIO DE TORNÁ-LA UM OBJETO DESCARTÁVEL E SEM NECESSIDADE DE SER LEVADA A SÉRIO ELA É ENFÁTICA: NÃO ACEITE APELIDINHOS; NÃO SE COLOQUE COMO OBJETO; NÃO SEJA APENAS UM ENFEITE PARA OLHOS MASCULINOS POIS QUANDO TE TRATAREM COMO UM SER SEM CONTEÚDO VOCÊ AINDA VAI ACHAR QUE A CULPA É APENAS SUA E O HOMEM (OU NO CASO TEORIAS A RESPEITO DA BELEZA QUE A DANÇA DO VENTRE DISSEMINA) TE ABRIRAM OS OLHOS ISTO É VOCÊ SÓ É UTIL NA MEDIDA QUE CONSOME E SE TORNA OBJETO E NA VERDADE O FEMININO SE FAZ DE MANEIRA MUITO MAIS SUTIL
    É MUITO, MUITO BOM TODA PESSOA VALE A PENA ASSISTIR
    OBRIGADA PELAS REFLEXÕES

  15. Caro Cobrador
    Se você se enganou na ortografia e quiz dizer concertar em vez de consertar, nada mau! Você comeu umas meninas, as meninas comeram-no a si, numa palavra, comeram-se – que lhes faça bom proveito, e tudo terminou em harmonia, clássica ou pop não importa.
    Agora se você não se enganou, o caso é mais sério, pois não posso deixar de lembrar uns rapazinhos da Africa do Sul que, recentemente, muito machos, resolveram consertar umas meninas lesbicas da vizinhança utilizando para tal a estratégia da violação de grupo, viloação correctiva como a imprensa lhe chamou, tudo muito corajoso e bem intencionado, mas se calhar pouco harmonioso. Num dos episódios chegaram mesmo a assassinar uma jovem, paciência, serviu para exemplo.
    Posto isto, só me resta esperar que V. se tenha enganado na ortografia.
    A propósito, o que é que você se propõe cobrar?

  16. Roberta, que coincidência!Eu passei por alguma situações recentemente, ouvi coisas tão absurdas da boca de colegas dançarinas que seu post veio como uma luva.
    Veja o que houve: numa sessão de fotos, enquanto nos maquiávamos, conversávamos amenidades, coisas sobre profissões, etc. Uma das moças já se assustou quando ouviu que eu era formada em física e trabalhava fora. A outra fala: “pra mim o homem é que deve sustentar a casa. eu trabalho, mas gasto todo meu dinheiro comigo, com salão, academia, etc”. Fora os comportamentos de “diva” na hora de tirar foto:”ai,to cansada”. “ai, to com fome”. “ai, nãovou comer senão vai dar barriga e vai aparecer na foto”. Etc. Eu estava desesperada.
    Ouvindo essas coisas, realmente me dá vontade de deixar a dança. Mas respiro fundo e sigo adiante. Enfim,está sendo um aprendizado e seu blog sempre me inspira nesse sentido.

  17. Ro, sou das tuas, vc sabe. Ofereco aqui o meu lema:

    Aqui nessa casa
    Ninguém quer a sua boa educação
    Nos dias que tem comida
    Comemos comida com a mão
    E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão
    Nos separam de um irmão
    Sentimos que nunca acaba
    De caber mais dor no coração
    Mas não choramos à toa
    Não choramos à toa

    Aqui nessa tribo
    Ninguém quer a sua catequização
    Falamos a sua língua,
    Mas não entendemos o seu sermão
    Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
    Mas não sorrimos à toa
    Não sorrimos à toa

    Aqui nesse barco
    Ninguém quer a sua orientação
    Não temos perspectivas
    Mas o vento nos dá a direção
    A vida que vai à deriva
    É a nossa condução
    Mas não seguimos à toa
    Não seguimos à toa

    Volte para o seu lar
    Volte para lá

    Volte para o seu lar
    Volte para lá

  18. Aooooooooooooo!Post sucesso!

    Eu sou bem parecida com vc, com exceção que sou chegada numas perueiras tipo decotão, oncinha, batom vermelho e unhas vermelhas. Mas não sou ´mulher padrão’. Eu bebo mais que muito homem, fumo, falo palavrão aos montes, tenho sempre opinião, e quando tem que rodar a baiana eu rodo!hahahaha.Acho que sou meio aquelas personagems dos filmes do Almodóvar. Mas rosa, não uso JAMAIS! E não me venham com mimimi e inha que já fico agressiva!rs. E me irrito com mulherzinhas…

    Saudade de você, mujer!!!!

    Besos.

  19. Minha nossa! E esse cobrador aí hein? Que vexame pra raça masculina!

    Homem como ele tem muito medo de mulheres com a gente. Pois sempre dizia pra um ex-namorado meu: “Macho de verdade é vc que namora uma pessoa como eu!”

    besitos.

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