Empreender

Propor algo novo é costumeiramente complicado. Ainda que o novo não seja assim tão novidadeiro. Hoje fiz algo realmente novo (e aí me recordo do extindo blog da Aryane, que sempre perguntava o que você havia feito de “novo” no dia do comentário): panfletei para uma festa. A festa que estou promovendo. Vou dar a maior volta para chegar ao meu ponto, mas chego lá.

As poucas pessoas que toleram meu papo sabem de minha implicância com a perspectiva jeca da dança como prática limitada a seu círculo.  Que vem a ser estreitíssimo. Entendo que dança é entretenimento e, como tal, deve ser acessível a todos que por ela se interessam. Acredito que a dança do ventre é uma linguagem e, como tal, pode ser acessada por qualquer pessoa (como praticante ou admiradora), independentemente de sexo, gênero, renda, percentual de gordura corporal. Como linguagem, a dança também não se limita ao universo musical de origem. Dança-se o repertório do balé com qualquer música (como vemos nas incursões de Ana Botafogo ao samba), por exemplo. Por que não coreografar Madonna a partir do cânone da dança do ventre? E por que não incorporar outra gramática?

O que escapa à compreensão dos conservadores é o simples fato de que uma interpretação de música ocidental com movimentos da dança do ventre não diminui a importância das interpretações clássicas. Numa reunião com colegas para definir a programação do festival de junho surgiu o comentário de uma coreo que fiz sob encomenda para uma música da Shakira: “nossa, nunca imaginei que você fizesse isso, Roberta!”. Sem condenação; o comentário pintou por pura surpresa mesmo. Porque como falo tanto de folclore, como ouço Umm Kalhtoum na veia, como decoro mal e porcamente as letras de Abdel Halim Hafez, passo por conservadora. Das que apontam dedo para fusões musicais e coreográficas. É o erro do julgamento precipitado.

“Hafla”, a festa que inventei de fazer em Brasília, vai rolar em um espaço costumeiramente dedicado ao rock’n’roll e freqüentado por uma gama de pessoas cuja maioria provavelmente nunca ouvira falar de derbake – UK Brasil Pub. Convidei as professoras poderosas, pedi seleção das avançadas e chamei a Bety, que aprendeu derbake com o Mahmoud.  Pesquisei o quanto pude sobre música eletrônica árabe. Vai rolar pop e fusões interessantes com música eletrônica e árabe em geral. Eu, pelo menos, super me animo a dançar o material que separei para rolar na festa. E estou certa de que, para dançar em pista de pub, basta gostar de sacodir e ter uma seleção com muito groove. Isso tá feito.

Claro que meus joelhinhos estão doloridíssimos. Do tanto que tremem. Envolver-se em um projeto assim é complexo em uma cidade pequena como Brasília, uma cidade em que os estúdios de dança mal se comunicam – mas que tem uma comunidade de dança grande e bem preparada, com profissionais competentes e estudantes bem encaminhadas. Levar a dança e a riqueza sonora árabe a uma audiência mais ampla que entes queridos de alunas e habituées de chás é um desafio, sim.  Porque nunca rolou em Brasília e não será um evento puramente bellydance. Mas quem disse a vida é fácil? Rapadura é doce, mas não é mole não.

Portanto, babies, bora suar as canelinhas, como diz a Lizandra:

haflafinal

P.S.: Ah, panfletar foi interessantíssimo! Altas pessoas me acharam parecida com a moça do panfleto, que vem a ser a gatérrima professora Padma. Claro, ela vai dançar na festa! Teve gente que nem nos olhou – fomos eu e Martinha -, rolou xaveco, rolaram comentários elogiosos sobre a festa… A Luciana fez uma maquiagem maneiríssima que, ainda nessa vida, aprenderei a fazer.

10 comentários sobre “Empreender

  1. Que interessante!
    Queria um evento semelhante em SAMPA também.

    bjo

    Van, deve rolar. Só que a cidade é tão grande que deve ser difícil ficar sabendo. Conto depois se tudo der certo na Hafla. Tomara.

  2. Nosssa ou maior apoio!!
    To superenvolvida com o TribalFestival e, aqui acomunidade roqueira undergroud me apoia!! heheheheeheheh
    Mas tá dificil da comunidade bellydancer tribals fusions e afins embarcar … to tremendo na base mas to indo rs….

    ESpero que de certo pois a tendencia é essa viu? depois posta foto e td mais!! bjsPs: e o pessoal conservador? oque achou? virou a cara? bjs
    Deborah

    O pessoal do tribal fusion pode se animar sim. Parece ser uma galera mais arejada. Conta mais também do seu evento!

  3. Adorei a idéia! Se Brasília fosse mais perto, eu dava um pulinho!

    aaaainh… seria tão bacana ter você por essas bandas…

  4. Desejo que haja outras edições de Hafla, porque infelizmente não poderei ir a esta. Dou aulas até 23h e tenho que acordar às 6h no dia seguinte. Seria um esforço descomunal para um dia de semana. Quando minha filha estiver de férias e eu puder dormir até mais tarde, certamente poderei comparecer!
    Eu também pensei que você fosse a moça do cartaz… Realmente se parece com você! E está lindo, tudo, a foto, o layout, a concepção! Parabéns! E que este seja o início de uma longa jornada, com direito a mais canela suada e joelhos trêmulos.

    Valeu, lindona!

  5. Ah, frozô…vc é uma coisinha muito preciosa visse….
    Tenho uma opinião de que dança (qualquer que seja) é um ser (sim, “ser” como ser vivo, ela não é viva?) mutante, plástico, adaptável, vulnerável aos desejos e caprichos de seu autor. Vc sabe, melhor do que eu, a estreita relação que existe entre dança e o dervir social. Pois é. Nenhuma dança escapa dessa sina . Por que a dança do ventre escaparia? Não escapa nem tem que escapar. Faz parte da evolução natural de si mesma.

    Também sempre defendi a idéia de que se quisermos conquistar um público, é preciso chegarmos até ele, falando sua língua. Música árabe é estranha e soa repetitiva aos ouvidos desacostumados. Agregar a ela elementos da nossa cultura musical é aproximá-la do leigo. E dessa aproximação pode surgir, quem sabe, um interesse em explorar a música e a cultura árabe, em sua forma natural.

    É assim que se chega a quem ainda não descobriu essa “cachaça”. Do conhecido rumamos ao desconhecido.

    Deu muita vontade de participar do evento. Se der, põe alguma coisa em vídeo (hehe, leia-se youtube!), prá dividir com a gente que está longe do cê, fiota.

    Beijos e vibração positiva desde já! Já deu tudo certo!

    Vi

    Pois é. Essa coisa da estranheza do som. Nós nos acostumamos tanto à estética musical árabe que achamos estranho quando estranham. Se rolar videozinho coloco sim. As fotos certamente vão ser legais!

  6. Oieeeeee

    Tomei a liberdade de deixar um recadinho, pois to vendendo uma roupa de dança do ventre linda (importada). da Uma espiadinha no meu blog e qualquer coisa tenho como mandar foto por e-mail.

    o_O

  7. A festa foi excelente, Rô! Seleção das músicas foi ótima, o ambiente foi bem escolhido, as meninas dançando estavam lindas…
    Parabéns!

    E, ó, cuidado com as imitações que vêm por aí, viu???😀

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