Assunto batido, eu sei. Mas a gente às vezes esbarra nos clichés tão brutalmente que deixa um roxo doído. Estrelismo não é apenas uma postura individual tola: a afetação de umas magoa e prejudica outras pessoas. Pra que serve ser descortez em um camarim? Por que desdenhar um convite? Qual é a vantagem de ser conhecida pela empinação do nariz? Acredito que muitas das estrelas da dança do ventre assim o são por terem perdido a capacidade de dimensionar as coisas. Dança do ventre é apenas um nicho. As “famosas” da dança do ventre são usualmente desconhecidas do público apreciador de arte. Tudo bem, isso acontece com outras práticas performáticas também. Mas parece que no meio da dança do ventre a coisa é patogênica – e olha que ouvi de um músico uma observação desse gênero. Mulherada se empolga mesmo dentro de um lencinho de crochet. Não compreendo bem. Pra mim, só merece o lugar de diva aquelas pessoas que realmente fazem de seu trabalho um elemento imprescindível para a arte em geral. Não adianta ser só uma boa bailarina ali, em sua província. Pra ser diva e exigir um tratamento diferenciado, minha amiga, tem que ser Umm Kalthoum, Edith Piaf, Souhair Zaki, Ella Fitzgerald, Clarice Lispector. Aliás, pode sim ser diva entre seus amigos. Não dá é para esperar que as pessoas todas à sua volta compreendam sua megalomania, já que você simplesmente não é… tipos… famosa. Né?
Sabe o que eu acho de estrelismo na dança do ventre? Coisa de jeca. Ser caipira tem lá seu charminho. Ser jeca é bem mais complicado.
Junho 4, 2009 às 8:48 am |
Ró, esse é um ponto sensível no que diz respeito a nossas grandes “estrelas” da dança do ventre no país. Estrelas que só querem ao seu lado estrelas e ajudam a formar uma geração ainda maior de estrelinhas. Eu prefiro mesmos as desconhecidas. Sempre surpreendem. As estrelas são sempre iguais.
Junho 4, 2009 às 1:51 pm |
Só tenho uma coisa a dizer:
isso é cansativo… muito cansativo…
Por isso tenho preguiça de conviver entre o pessoal da dança de modo geral. Não só da dança do ventre não. De todas as formas de dança. Ai, que preguiça!
Junho 4, 2009 às 3:06 pm |
ranhotice faz bem, que bom que não estou sozinha. to contigo!
Junho 4, 2009 às 8:14 pm |
ih, gente jeca tem em toda arte, né? aff, o povo do cinema cansaaa!
é por isso que te acho uótema, gata.
tô de volta amanhã. urru!
Junho 4, 2009 às 9:45 pm |
Se fosse só na dança do ventre, seria uma beleza. A auto-importância é o mal que flagela nossa espécie, baby.
Junho 5, 2009 às 5:01 pm |
Acho que é algo que vai existir sempre. Existe o estrelismo e o sucesso de fato. Um vem sempre atrás do outro. E aí, cabe a cada bailarina decidir o que quer.
Só que, quanto mais alto se sobe ‘estrelando’, maior é o tombo ao despencar.
Bjoones gata!
Junho 5, 2009 às 5:11 pm |
Estrelismo assumido a meu ver é sinônimo de insegurança e sentimento de inferioridade entranhado e enrustido, falta de fé no próprio taco, medo de perder lugar supostamente olímpico para outrem. Por outro lado, convenhamos, quem ajuda a compor o estrelato somo nós, quando público e admiradores, né. Bjos!
Junho 7, 2009 às 9:50 pm |
Podeee ^^
Junho 8, 2009 às 1:01 am |
estrelismo e idolatria… ai que duplinha sacal, meu!!!
Junho 8, 2009 às 5:02 pm |
Concordo principalmente na parte da empinação de nariz e falta de cortesia.. Tá cheio disso! Eu morro de medo nesses eventos da vida de levar um fora de pessoas que me olham pensando “sou a diva do mundo e você fede”. E puxa, elas são seres humanos como eu, dançam como eu, e também falham em coisas, como eu… E fica uma situação chatíssima, né convenhamos.
Junho 11, 2009 às 12:50 pm |
Roberténha , assunto chatinho esse né ???
Fico extremamente chateada quando vejo as estrelas tendo “estrelices” bem de perto , a gente estuda a tal bailarina , se mata prá fazer um work com ela , quando vai ver a criatura é cheia de não me toques e coisas afins . A decepção empana o talento , mas fazer o que ??? Quem sabe quando cair a ficha o resto não estará caído também ???
Beijos
Junho 12, 2009 às 6:03 pm |
Há… Tô pondo seu texto com os devidos créditos lá no meu bloguinho amanhã… Muito bom, muito indispensável!!!
Junho 14, 2009 às 1:35 pm |
Não tem acupuntura que me faça sobreviver a estes tipos “jecas” – adorei tua colocação.
Da dança do ventre vai até a “doutora” recém formada em bacharel de direito que vira estrela.
Mas, enquanto tiver gente que acha que este povo que vira “star” não faz cocô, não fede, não arrota seremos obrigadas a esbarrar vez ou outras com estes espécimes.
Beijinhos!
Junho 16, 2009 às 12:46 pm |
Há quem ‘consuma’ essa imagem de divas, e ache lindo. Quanto a aparência da arte supera seu conteúdo, começamos a ver essas aberrações.