Daí que minha amiga Lu tava contando dos mil gadgets que ela tem em casa. Ela tem uma máquina de fazer coxinhas, por exemplo. Faz cem coxinhas de uma vez só. E contei a ela de um dos melhores artigos de jornal que li nos últimos tempos. O caderno Vitrine, da Folha de, sei lá, três sábados atrás, fez uma relação das compras mais ineficientes que as pessoas podem fazer. Entre os produtos listados constavam iogurteira, cortador de pelo de nariz, conjuntos de facas e aquela mega poderosa máquina de suco que é um inferno de limpar (a Lu confirmou). Sugeri a ela que escrevesse sobre sua cozinha tecno-psicodélica e me empolguei também: por que não relacionar os acessórios bellydance mais trambolhudos e/ou inúteis que já adquiri nos últimos 13 anos de dança? Quer sabersh? Yallah:
1. Snujs de um furo só.
Snujs, quando não se pratica, já são uma tralhinha. Mesmo um turquoise. Um par de objetos que fica guardado, coitado, sem uso. O negócio vira tralha meeesmo é quando se compra aquele par de snujs com som de lata. Siiiim, aquele que só tem um furinho, coitado. Que só serve pra te constranger nos workshops de snujs.
2. Touquinha
Quem, em sã consciência, usa as touquinhas? Claro, elas podem até ter seu charme em algumas performances folclóricas. Mas nunca consegui usar. Tipos, tenho uma. Ocupando espaço em gaveta, claro.
3. Abaya exagerada
Tive uma abaya dourada enoooorme, com capuz e mangas, brilhosa, exuberante. E queeeente. Imagine-se saindo do palco (ou retornando aos exíguos “camarins” – tô tão generosa hoje – dos restaurantes) e vestindo um troço de tecido brilhoso e pesado… aaaaaaaaahhhhhhhhh….. Mo-hy. Eu e algumas alunas nos deparamos com uma abaya de morrer de inveja no último espetáculo. É de uma colega professora. Glamourosa, de veludo e gola de pele. Agora pense em vestir isso depois de dançar por uma hora inteira em restaurante. Ou depois de descer de um palco onde o foco de luz era todinho seu. Gostoso, né? Não.
4. Cd’s da Khan el Khalili e do Tony Mouzayek
Antigamente internet não era fonte de música. Só hacker ou gente muito rica baixava música. Conexão discada, sacomé. Daí Tony Mouzayek e os cd’s da KK eram uma constante nas fitinhas da galera. O Tony fazia versões das músicas pop mais legais e tem inclusive gravações maneiríssimas das clássicas (como a onipresente “Exotismo”, que tá naquele cd em cuja capa a Soraia veste a roupa mais unbelievable de todas). Com o maior acesso das pessoas aos originais, ficou difícil usar os cds do Tony. Ou seja, Tony datou, mas era a melhor fonte de muita gente. Só que os cd’s da KK, ao mesmo tempo em que eram bons para aulas (ritmos constantes e tal e coisa), sempre foram insuportáveis de ouvir de dançar. E a gente comprava altos nas bancas. E agora ficam encostados. Porque é difícil jogar fora algumas coisas. Porque a gente se apega, né? E eu sou tipo aquela véia cheia de gatos e tralha pra todo lado. Ê, leiê.
5. 15.000 lenços de quadril
Não sei por que a gente compra tanto lenço de quadril. Um só basta. Tenho um monte. Compulsiva mesmo. Dei alguns para algumas amigas. O pior é que me arrependi. Só que lenço de quadril, pra mim, que sou uma desorganizada, só serve pra ficar jogado pela casa. Porque a faxineira não sabe onde colocar. E eu deixo tudo largado. Daí na hora de arrumar a sacolinha pra ir dar aula, nunca encontro o que eu quero e me atraso pra aula. Sim, a culpa dos atrasos é todinha do excesso de lenços de quadril. Alguns, coitados, não são usados nunca. Os de moedinha são os piores; as moedinhas cortam a linha, daí, ao usar, espalha aquelas contas todas pelo chão. E pisar nelas dói. Por que não ter apenas, sei lá, oito?
6. Kohl
Alguém já conseguiu usar isso sem ficar parecendo a Cleópatra de ressaca?
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Bonus:
Candelabro
Não. Nunca tive um. Jamais dancei com um. É tradicional, pois é. Só que pra ter um objeto desses em casa, você precisa ter um armário embutido muito espaçoso. Porque o candelabro é a mãe de todos os trambolhos. Espada a gente enfia no fundo do armário (ou, se a bailarina é uma exibicionista, pendura na parede); pandeiro fica lindo dentro da cristaleira, bastão a gente deixa em qualquer canto. Mas candelabro, baby… candelabro é de amargar.




















