É tão bom ter uma bailarina linda, perfumada, bem-vestida e talentosa iluminando nosso evento, não é? Mas pagar por ela é ruuuuim. Imagina, ela só tem que… dançar! Como ousa cobrar por isso? Ainda mais essa dança tão fácil, é só sacodir!
Imagino que seja isso o que se passa na cabeça de alguém que liga para contratar a bailarina e pechincha ou simplesmente sugere um cachê ínfimo. Hoje fiquei tão boquiaberta que a pobre da promotora de eventos teve que ouvir um rio de ironia. Vou tentar transcrever o telefonema, editando as partes repetitivas:
- Alô, to falando aqui de Goiânia; é que vai ter um lançamento imobiliário (opa! Construtora tem dinheiro) aí e a gente gostaria de uma ou duas dançarinas.
- Claro, temos várias bailarinas em nossa escola. Quando será o evento?
- Então, mas deixa eu te falar: eu conversei com a fulana e ela falou para ligar para você; a gente tem um problema de caixa, daí eu queria saber se você não tem uma aluna…
- Trabalhamos apenas com profissionais. Quanto você tem reservado para o cachê da bailarina?
- Ah, temos ½ X.
- (segurando o riso) Olha, isso é a metade do valor praticado pelas bailarinas.
- Então, menina! É por isso que a gente queria ver se você não tinha uma aluna…
- Não; temos bastante cuidado com a imagem da escola e da dança, por isso apenas profissionais são contratadas. (Misto de tristeza e indignação crescendo em meu peito) Você certamente encontrará meninas que aceitarão dançar por esse valor, mas cuidado: pode estragar seu evento. E dá tanto trabalho fazer um evento, não é?
- É verdade. (segura, que agora vem a pérola) Mas você não aceitaria indicar alguém nem que seja pela divulgação da escola?
- Olha, fulana, a construtora não me venderia o apartamento pela metade do preço como permuta pela divulgação, não é mesmo?
- He he he… não.
- Então.
- Ai, então você tem o telefone de outra escola?
- Não posso fazer isso, fulana. Dá uma olhadinha no google, que você acha rapidinho.
Impressionante.















